O apoio deve permanecer, ser mais longo e transformador, em vez de ser forte apenas no momento de acudir à emergência.

"Especialmente diante de uma mudança climática, precisamos de fazer uma transição mais rápida da nossa resposta humanitária inicial para uma resposta holística que integre, a longo prazo, a redução de riscos e promoção de desenvolvimento", lê-se no trabalho do Instituto para a Transição Social e Ambiental-Internacional (ISET), uma organização não-governamental (ONG) norte-americana.

O relatório com o título "Quando o que não tem precedentes se torna antecedente" foi elaborado com apoio da Cruz Vermelha e Crescendo Vermelho Internacional, a organização de caridade britânica Practical Action e a seguradora Zurich.

Um dos objetivos do documento é o de não deixar que os ciclones de 2019 caiam no esquecimento, mas que deles nasçam lições, listadas e detalhadas pelos autores.

O relatório reconhece que "nos países onde a vulnerabilidade das condições socioeconómicas converge com a degradação natural do ambiente e um clima em mudança, o processo para construir com resiliência e reduzir riscos será longo e árduo, mas necessário".

Será importante para "interromper os ciclos de pobreza e para impedir as comunidades de recuar para os estados anteriores de vulnerabilidade" de cada vez que há um desastre natural, fazendo com que a ajuda humanitária signifique progresso inabalável.

Um dos moçambicanos atingido pelos ciclones em 2019 é citado no texto: "Antes da tempestade, estávamos a educar os nossos filhos para serem engenheiros, médicos ou enfermeiros, mas agora já não podemos fazer isso. A tempestade fez nos recuar".

De acordo com o levantamento realizado em Moçambique, após os ciclones Kenneth e Idai - incluindo neste último caso o Zimbábue e Maláui -, os autores defendem que será necessário "alterar práticas no nível da comunidade - através da diversificação de meios de subsistência, facilitando a construção de abrigos, trabalhando com as comunidades para desenvolver sistemas de alerta inclusivos e melhorar a localização de equipamentos de manutenção".

Ao nível de parceiros e doadores, mudar para uma ajuda de longo prazo, resiliente que faça o que se impõe "requer financiamento dedicado ao desenvolvimento e coordenação, passando de um modelo do desembolso de curto prazo, para ciclos plurianuais".

Os autores realçam que o conhecimento para enfrentar os desafios existe e está disponível, resta haver forma de o levar à prática.

O ciclone atingiu Moçambique em abril de 2019, matou 45 pessoas no Norte do país e afetou as vidas de cerca de 374 mil pessoas, segundo dados compilados pelas Nações Unidas.

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