O inquérito é intitulado "Avaliação da Recuperação de Habitação na Região Central de Moçambique" e baseia-se em entrevistas a uma amostra de 5.323 famílias, incluindo 1.281 famílias instaladas em centros de reassentamento e 4.042 famílias acolhidas em comunidades afetadas pelo ciclone Idai.

Do número de famílias inquiridas, 9% vive em casas de transição e apenas 2% em residências definitivas.

A maioria dos entrevistados (57%) salientou que a sua habitação foi "rápida e completamente destruída" pelo ciclone.

Um ano depois, a situação das casas continua no estado em que o Idai as deixou.

O levantamento também apurou que 76% das famílias não pretende voltar para a sua zona de origem, enquanto 24% não tem a certeza se regressará ou não à anterior área de residência.

A OIM assinala que as estatísticas são similares aos números recolhidos no "Relatório de Avaliação de Soluções Duradouras" para as vítimas do ciclone Idai, que a organização publicou no dia 31 de março deste ano.

Nesse inquérito, 98,6% dos entrevistados dizia que preferia continuar nas áreas de reassentamento a regressar às zonas de origem.

E desse número, 72,4% afirmou esperar que as condições nas áreas de reassentamento melhorem para se instalarem definitivamente.

A "Avaliação da Recuperação de Habitação na Região Central de Moçambique" indica que mais de três quartos respondeu que tem acesso a material de construção artesanal.

Quase todos os inquiridos disseram que o método de construção de casas deve ser repensado, para tornas as casas mais fortes e resilientes a futuros desastres relacionados com mudanças climáticas.

Apenas 3% das pessoas ouvidas no levantamento assegurou estar a reconstruir as suas casas.

Dessa percentagem, 38% são do distrito de Sussundenga, província de Manica.

Metade das famílias que estão a reconstruir as casas recorrem ao material que restou da habitação destruída pelo Idai e 26% recebeu material doado por organizações humanitárias.

Dos inquiridos, 54% vivia em casas de blocos de matope, antes do ciclone.

O levantamento cobriu 177 postos administrativos de 28 distritos das províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março, provocando 604 vítimas mortais e afetando cerca de 1,8 milhão de pessoas.

Pouco tempo depois, Moçambique voltou a ser atingido por um ciclone, o Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matando 45 pessoas e afetando outras 250.000.

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