Filipe Nyusi enfatizou a determinação na luta contra os grupos armados, falando por ocasião do 60.º aniversário do massacre de Mueda, momento marcante da luta anticolonial.

"Os moçambicanos nunca se resignarão, continuaremos a lutar em defesa dos nossos interesses e continuaremos a lutar contra todo o tipo de divisionismo e de agressão", disse Filipe Nyusi, falando em Mueda, província de Cabo Delgado.

O país vai opor-se à pilhagem dos seus recursos naturais, acrescentou.

O chefe de Estado moçambicano assinalou que a violência armada no Norte, mais concretamente na província de Cabo Delgado, e também na região centro, não tem impedido o Estado de manter a independência e a soberania do país.

"Moçambique continua independente e soberano, não obstante os ataques terroristas nesta província de Cabo Delgado e no centro", frisou.

A violência, continuou, está a provocar a matança de civis e a destruir infraestruturas sociais e económicas.

Referindo-se ao massacre de Mueda, que segundo fontes oficiais resultou na morte de cerca de 600 civis pelas autoridades coloniais portuguesas, Filipe Nyusi disse que o acontecimento catalisou a determinação do povo moçambicano em lutar pela independência nacional.

"Mais do que um ato de humilhação, o massacre de Mueda trouxe à superfície o caráter desumano do colonialismo e transformou-se num instrumento catalisador da luta contra o colonialismo", realçou o Presidente moçambicano.

A 16 de junho de 1960, as autoridades portuguesas abriram fogo contra centenas de pessoas que se tinham reunido na sede da vila de Mueda com a administração colonial portuguesa para um encontro sobre as injustiças e repressão do sistema colonial.

O massacre mereceu condenação internacional e aprofundou o isolamento do regime colonial português, abrindo caminho para o início, quatro anos depois, da luta pela independência de Moçambique, alcançada em 25 de junho de 1975.

Cabo Delgado, província moçambicana onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como uma ameaça terrorista, com pelo menos 600 mortos e 200 mil pessoas afetadas, sendo obrigadas a refugiar-se em lugares mais seguros.

No centro de Moçambique, desde agosto do ano passado, ataques armados atribuídos a uma dissidência da guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, têm visado forças de segurança e civis em aldeias e nalguns troços de estrada da região, tendo causado mais de 20 mortos e vários feridos, além da destruição de veículos.

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