“No Norte do país, a violência armada continua, ante a passividade das forças de defesa e segurança”, declarou Viana Magalhães, o chefe da bancada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

Viana Magalhães fez a crítica durante o seu discurso inaugural no arranque da primeira sessão da nova Assembleia da República (AR).

Assinalando que o Governo se tem referido aos membros dos grupos armados que protagonizam ataques na província de Cabo Delgado como “malfeitores”, Magalhães destacou que as ações mostram que “o país está desguarnecido”.

“Se malfeitores podem tomar parte de uma província, então o país está desguarnecido, é estranho que não haja responsabilização dos autores desses atos”, declarou.

Sobre os ataques no Centro do país atribuídos a uma fação dissidente da Renamo, o chefe da bancada do principal partido da oposição considerou estranha a incapacidade do Governo de conter a violência.

Viana Magalhães referiu que o executivo moçambicano conhece o paradeiro do líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, porque este já deu entrevistas a órgãos de comunicação social estatais.

Por seu turno, o chefe da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, descreveu como “atrocidades” as consequências da violência armada no Norte, defendendo uma ação firme das forças de defesa e segurança.

“Apelamos às forças de defesa para que usem os meios disponíveis, visando garantir a tranquilidade e segurança das populações”, afirmou Lutero Simango.

Já Sérgio Pantie, chefe da bancada da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder e com maioria no parlamento, não se referiu à situação em Cabo Delgado, mas apontou a paz como fator imprescindível para o desenvolvimento social e económico.

“A paz é imprescindível, a paz foi e será sempre a nossa prioridade absoluta, continuaremos a apostar na preservação da paz como condição indispensável do desenvolvimento”, declarou Sérgio Pantie.

Em menos de 48 horas, entre segunda-feira e hoje, grupos armados ocuparam as sedes dos distritos de Mocímboa da Praia e de Quissanga, na província de Cabo Delgado.

A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos armados que organizações internacionais classificam como uma ameaça terrorista e que em dois anos e meio já fez, pelo menos, 350 mortos, além de 156.400 pessoas afetadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.

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