"A ameaça de insurgência islâmica coloca um risco maior para as organizações não-governamentais e para os trabalhadores humanitários do que para a indústria do gás", lê-se numa análise da consultora EXX Africa à violência em Moçambique.

No relatório, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, o diretor da consultora argumenta que "os grupos armados no norte de Moçambique não têm capacidade operacional nem vontade de atacar o setor do gás natural no país".

Para Robert Besseling, "à medida que mais fundos de ajuda e trabalhadores de ONG são canalizados para o norte de Moçambique, a perspetiva de mais ataques a estes alvos vai aumentar".

No entanto, "a combinação das medidas de contraterrorismo aplicadas pelas autoridades moçambicanas e as medidas de segurança privada associadas com os interesses no setor do gás parecem ser suficientes para mitigar qualquer ameaça latente ao setor do gás", afirma.

No documento explica-se que o grupo militante Ahlu Sunnah Wa-Jama (ASWJ) tem estado ativo na província de Cabo Delgado desde o final de 2017, particularmente nos distritos de Macomia, Mocimboa da Praia e Palma.

"Apesar da sua origem como um movimento de base local, há cada vez mais provas de que o ASJW está a recrutar nos países vizinhos, especialmente na Tanzânia e na Somália", aponta-se no texto, que dá conta de que não há "uma evolução visível na capacidade operacional e no perfil dos alvos".

Os ataques já provocaram pelo menos 350 mortos entre agressores, residentes e militares moçambicanos, além de deixar cerca de 60.000 afetados ou obrigados a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária a Moçambique das Nações Unidas.

As forças de defesa e segurança moçambicanas têm estado no terreno, mas o Presidente da República, Filipe Nyusi, admitiu na última semana que são necessários mais apoios para lidar com o problema.

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