Em comunicado hoje divulgado, o eurodeputado social-democrata aponta que a situação no norte de Moçambique, palco de ataques de insurgentes há já mais de dois anos, foi hoje abordada na reunião da comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu, congratulando-se Rangel por ver a questão “ganhar visibilidade internacional”.

“Ao longo das últimas semanas tenho-me multiplicado em contactos e diligências junto dos meus colegas deputados para os sensibilizar para esta questão. É um trabalho invisível, mas gratificante quando sabemos estar a apoiar uma causa justa e quando o resultado final é positivo. Foi finalmente possível incluir um debate formal na comissão parlamentar", comentou.

Rangel aponta que durante o debate, que contou com a intervenção de uma representante do Serviço Europeu de Ação Externa – o corpo diplomático da UE -, apelou à “intervenção urgente da União Europeia” e sublinhou “o drama vivido pelas populações dizimadas e lembrou que os ataques na região já provocaram mais de 200 mil deslocados”.

O chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu disse que aguarda ainda uma resposta escrito do Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, sobre as diligências que a União tem tomado para acompanhar a situação.

“Até ao momento ainda não obtive nenhuma resposta, o que considero surpreendente dada a urgência da situação”, lamentou.

No debate também interveio a eurodeputada portuguesa Isabel Santos, do PS, que saudou igualmente a importância desta discussão em sede parlamentar, já que, salientou, “a situação em Moçambique agudiza-se de dia para dia”.

Tal com o eurodeputado do PSD, Isabel Santos defendeu que o debate, do ponto de vista europeu, não deve centrar-se apenas na questão do acordo de paz, mas sim abranger “toda a complexidade desta agenda islamita radical e oportunista”.

“O apetite pelo controlo de regiões particularmente ricas em recursos naturais e o aproveitamento absolutamente oportunista das dificuldades sociais e económicas do país e da falta de perspetiva de futuro de toda uma geração para ganhar espaço e o controlo da região tem que ser combatido e não pode ser tolerado”, defendeu a deputada socialista.

Para a eurodeputada, o problema deve todavia ser enfrentado “numa perspetiva multidimensional”, e não “apenas do ponto de vista militar, como até aqui tem sido feito pelo Governo” moçambicano, sendo necessário “lançar novas plataformas de desenvolvimento, de formação e de emprego” para dar resposta à dimensão social.

Considerando igualmente que era importante que Josep Borrell se pronunciasse sobre esta matéria – e não apenas os serviços do corpo diplomático que dirige -, de modo a dar a conhecer “a perspetiva política da Comissão” Europeia relativamente a esta matéria, Isabel Santos advertiu que “o que está a acontecer neste momento em Cabo Delgado tem um forte potencial de crescimento e de alastramento a outras regiões do país e a outros países vizinhos”.

A violência armada no norte de Moçambique intensificou-se desde março passado, mas já dura há mais de dois anos.

A região de Cabo Delgado, onde avançam megaprojetos de extração de gás natural, vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista e que já mataram pelo menos 600 pessoas nos últimos dois anos e meio, provocando uma crise humanitária que afeta 211.000 pessoas.

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