"O projecto esteve suspenso, as medidas de segurança foram reforçadas e toda a nossa equipa está bem", afirmou Carlos Neto, a propósito da construção dos empreendimentos de exploração de gás natural na península de Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado.

As medidas de segurança "não foram implementadas” pela empresa, “mas pelo líder do projeto", a petrolífera Anadarko.

"(..) Não gostaria de falar muito sobre elas porque é algo que nos transcende", acrescentou o diretor-geral.

"As nossas pessoas são o nosso principal foco. Temos de garantir que os nossos funcionários estão bem, seguros e isso é o mais importante", acrescentou.

Carlos Neto falava em Maputo à margem de um ato de entrega de donativos ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) destinado às vítimas dos ciclones de grande intensidade que afetaram Moçambique.

A empresa mobilizou donativos em Portugal, tais como roupa, alimentos, material escolar e outros produtos de primeira necessidade, num total de 16 toneladas de artigos, planeando ainda enviar para Moçambique mais dois contentores com produtos diversos, além de intervir na reconstrução do Hospital Central da Beira.

A Gabriel Couto conta com 100 funcionários na província de Cabo Delgado e está no país há mais de duas décadas.

Em fevereiro, um motorista moçambicano da firma foi assassinado por homens armados que se suspeita estarem ligados aos grupos que desde outubro de 2017 aterrorizam a região.

"Na sua política humana e humanitária a empresa continuará a ajudar a família desse funcionário", acrescentou Carlos Neto.

A empresa é uma das subcontratadas pelos consórcios de petrolíferas que estão a construir as infraestruturas associadas à exploração de gás natural que deverá arrancar em 2024.

A firma é responsável pela construção da pista de aviação que vai servir aquele que será o maior investimento estrangeiro de sempre em Moçambique.

Os ataques de grupos armados que nasceram em mesquitas de Cabo Delgado já mataram pelo menos 150 pessoas e tiveram um reacendimento durante este mês.

Pelo menos 10 residentes morreram durante as incursões registadas em maio que também condicionaram a ajuda humanitária após o ciclone Kenneth.

Um dos últimos ataques, em 10 de maio, foi feito contra um autocarro de transportes públicos entre Mocímboa da Praia e Palma em que uma pessoa foi morta, outra raptada e um trabalhador subcontratado do empreendimento de gás ficou ferido, passando uma noite escondido no mato.

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