O governo está a desenhar "um plano amplo de intervenção, enquanto as Forças de Defesa e Segurança procuram restabelecer a ordem e tranquilidade nas aldeias de origem dos afetados para posterior retorno", disse Valige Tauabo, governador de Cabo Delgado, citado pelo jornal Notícias.

Aquele responsável falava durante uma visita na terça-feira ao bairro de Paquitequete, situado na zona costeira de Pemba e que alberga muitos deslocados dos distritos de Quissanga, Macomia, Mocímboa da Praia e Ibo, entre os mais afetados pelas incursões de grupos armados na província de Cabo Delgado.

No bairro de Paquitequete, as vítimas da violência armada têm sido acolhidas pelos respetivos familiares e amigos, estando as autoridades a registar casos de agregados familiares com mais de 20 pessoas na mesma residência.

É o caso de Eurico Manuel, que fugiu do distrito de Mocímboa da Praia, onde trabalhava como funcionário da administração marítima, para procurar abrigo na casa da sua sogra, segundo o diário "Notícias".

A província nortenha de Moçambique vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista desde outubro de 2017 e que já mataram, pelo menos, 500 pessoas.

As autoridades moçambicanas contabilizam 162 mil afetados pela violência armada na província.

No final de março, as vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infraestruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança.

Na ocasião, num vídeo distribuído na internet, um alegado militante 'jihadista' justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique com o objetivo de impor uma lei islâmica na região.

Foi a primeira mensagem divulgada por supostos autores dos ataques que ocorrem desde outubro de 2017 na província de Cabo Delgado, gravada numa das povoações que invadiram.

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