"Existe esta necessidade de dar maior estímulo as pessoas que estão no teatro das grandes operações que estão a acontecer no país", declarou Filimão Suaze, momentos após uma sessão do Conselho de Ministros em Maputo.

Cabo Delgado, província moçambicana onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano como uma ameaça terrorista, e que já causaram pelo menos 600 mortos e afetaram 200 mil pessoas, obrigadas a refugiar-se em lugares mais seguros.

O subsídio para os militares que combatem grupos armados no norte de Moçambique foi anunciado na terça-feira pelo chefe de Estado moçambicano num evento no distrito de Mueda, em Cabo Delgado.

"Vamos reconsiderar o subsídio de empenhamento, que eles muito bem merecem, e temos a consciência de que não será tudo, porque o sacrifício destes jovens não se paga com dinheiro ou com algum recurso", disse, na ocasião, Filipe Nyusi.

Ontem, embora sem avançar valores, o porta-voz do Governo moçambicano explicou que a medida vai abranger todos militares que "lutam para garantir a soberania do país", incluindo os que estão envolvidos em operações para travar os ataques armados em estradas das províncias de Manica e Sofala, incursões que já causaram a morte de mais de 20 pessoas desde agosto de 2019 e têm sido atribuídas a um grupo de dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição.

O subsídio é um "estímulo para aqueles que estão a dar tudo de si para garantir que o país continue independente e estão a defender as populações nas zonas em que estão a acontecer estes ataques", frisou Filimão Suaze, acrescentando que o valor será definido em função da hierarquia, disciplina e organização interna das Forças de Defesa e Segurança.

Além dos militares, o Governo moçambicano aprovou outro decreto que autoriza subsídios para profissionais de saúde que, no exercício das suas funções, estão expostos a doenças infetocontagiosas, uma medida adotada face aos desafios impostos pela COVID-19.

"Em função da situação que vivemos, entendemos que era importante encontrar um subsídio padrão para todas as pessoas que estão naqueles setores em que o risco de contaminação ou contágio é alto", declarou Filimão Suaze.

Desde o anúncio do primeiro caso, a 22 de março, Moçambique registou um total de 651 e quatro óbitos devido a COVID-19, existindo ainda 169 pessoas recuperadas.

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