“A situação humanitária em Cabo Delgado deteriorou-se significativamente nos últimos oito meses devido à insegurança e violência” na mesma altura em que a pandemia de COVID-19 “está a agravar-se” no país, “aumentando a insegurança alimentar e esgotando a capacidade das famílias”.

Os dados fazem parte de um resumo do OCHA sobre a situação humanitária em Moçambique, divulgado na segunda-feira.

Estima-se que haja 250.000 deslocados em Cabo Delgado, afetados pelo conflito entre rebeldes armados e forças moçambicanas, além de outros 95.000 no centro do país, devido a desastres naturais (ciclones e inundações) e ataques de ex-guerrilheiros.

A resposta aos apelos da ONU para apoio financeiro a Moçambique para enfrentar a covid-19 e ataques armados em Cabo Delgado varia entre 19% a 58%, respetivamente, quase três meses e meio após terem sido lançados.

Em coordenação com o Governo moçambicano, as Nações Unidas lançaram a 04 de junho um apelo aos parceiros internacionais para angariação de 68,1 milhões de dólares destinados a um apoio urgente a Moçambique para combate à COVID-19 e já receberam 13,2 milhões de dólares, ou seja, 19%.

O plano para enfrentar a covid-19 prevê abranger até dezembro cerca de três milhões de pessoas de um total de oito milhões que a ONU estima necessitarem de ajuda, numa operação que envolve 57 parceiros setoriais, dando prioridade ao reforço dos serviços de saúde e soluções para problemas dos grupos vulneráveis.

Na mesma altura, foi lançado outro apelo para apoio a deslocados pela violência armada em Cabo Delgado no valor em 35,4 milhões de dólares, tendo recebido 20,7 milhões de dólares, ou seja, 58%.

Além dos deslocados, o apelo tem em conta as comunidades de acolhimento, também já de si empobrecidas, estimando-se que haja 712.000 pessoas a necessitar de ajuda.

O plano pretende apoiar 354.000, cerca de metade, até final do ano.

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