O parlamento está a discutir uma proposta do Presidente da República, Filipe Nyusi, para alterar a Constituição e passar a escolher cada autarca a partir da lista mais votada para a assembleia municipal.

A proposta faz parte das negociações de paz com Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que prevêem que o poder central deixe de indicar governadores provinciais e distritais, passando estes a sair das respectivas assembleias - estendendo-se o procedimento às autarquias.

Amisse Cololo, candidato da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder no país desde a independência em 1975, e Paulo Vahanle, pela Renamo, principal partido da oposição, podem ser assim os últimos candidatos a uma eleição municipal tal como se conhece.

Quem ganhar vai ter um mandato curto, visto que as eleições autárquicas em todo o país estão marcadas para 10 de Outubro, esperando o chefe de Estado e o líder da oposição que as novas disposições constitucionais sejam já aplicadas.

Entretanto, na quarta-feira, cerca de 300 mil eleitores são chamados a votar numa eleição intercalar desencadeada pelo homicídio do presidente do município, Mahamudo Amurane, abatido com um tiro à queima-roupa em Outubro de 2017 - um crime ainda sob investigação.

Na primeira volta do escrutínio, realizada a 24 de Janeiro, ninguém teve mais de metade dos votos, caso em que a lei obriga a uma segunda volta entre os dois mais votados (o vencedor Cololo conquistou 44,51% e Vahanle arrecadou 40,32% dos boletins).

O Centro de Integridade Pública (CIP), organização da sociedade civil, considera que problemas em torno dos cadernos eleitorais que ensombraram a primeira volta estão a ser resolvidos, envolvendo os técnicos do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) nomeados pelos partidos políticos.

"O STAE terá um técnico fixo em cada posto de votação com um computador portátil para ajudar os eleitores que tenham perdido seu cartão de eleitor a encontrar sua mesa de votação", anunciou o CIP na segunda-feira, num boletim sobre a eleição intercalar de Nampula.

Por outro lado, mais viaturas foram alocadas para reforçar o transporte do material de votação com vista a evitar os atrasos de entrega de material que se verificaram na primeira volta e que levaram muitas mesas de voto a abrir depois das 07:00, hora marcada para o início da votação.