Manuel de Araújo diz estar a sofrer ameaças de morte por indivíduos desconhecidos. O edil de Quelimane, na província da Zambézia, centro de Moçambique, fez saber que as intimidações acontecem desde maio de 2018, mas aumentaram recentemente, depois de ser eleito cabeça-de-lista pela Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) a governador da província da Zambézia.

Segundo o autarca, até então os indivíduos desencorajavam-no a candidatar-se, mas as ameaças subiram de tom e agora querem que abandone a ideia de prosseguir no desafio. ‘‘Nós recebemos duas cartas: a primeira foi no dia 8 de maio de 2018, que dizia que não devia concorrer à posição de cabeça-de-lista da RENAMO na província da Zambézia”, explica.

"A segunda carta foi na quarta-feira (10.07) e foi distribuída em vários mercados da cidade de Quelimane, dizendo que já me tinham avisado de que não devia concorrer, mas que agora tenho de tomar cuidado porque ou morremos nós [os autores da missiva] ou morre o senhor. Portanto, uma clara a minha integridade física"’, conclui.

Caso nas mãos das autoridades

Mesmo sem mostrar provas, Manuel de Araújo suspeita que as ameaças venham de "esquadrões da morte", grupos de indivíduos que pretendem silenciar as vozes críticas ao regime. Araújo promete perseguir os autores das ameaças até onde for possível, até porque o caso já está nas mãos das autoridades: "‘Os meus assessores jurídicos estão a tomar conta deste assunto. Neste momento, não vou avançar quais são os caminhos que nós já tomámos para que atitudes como estas jamais voltem a acontecer no nosso país"’, afirmou.

O cabeça-de-lista da RENAMO esteve esta semana na cidade de Nampula, uma outra autarquia governada pelo seu partido. À DW África, garantiu não ter nada a temer: "Refugiar-me? Nunca! Jamais me refugiarei! Vim cá para visitar o vice-presidente da Assembleia Municipal da Vila de Alto Molocué, que foi violentado e espancado e a quem partiram as pernas".

"O senhor Txetxema está aqui no Hospital Central de Nampula em tratamento, e eu saí de Quelimane para prestar a minha solidariedade, mas também para dar a minha ajuda naquilo em que puder ser útil", disse Araújo.

Perante as ameaças, o cabeça-de-lista do principal partido da oposição em Moçambique, na província da Zambézia, diz que não vai ceder: "‘Nunca verguei na minha vida e quanto mais cartas eu receber, mais firme me torno".

Manuel de Araújo não é o primeiro edil da RENAMO a ser ameaçado de morte. Ainda neste ano, Paulo Vahanle, autarca de Nampula, do mesmo partido, já foi também vítima de ameaças de mortes por desconhecidos.

por:content_author: Sitoi Lutxeque (Nampula)

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