Uma pessoa morreu durante o ataque de um grupo armado nesta segunda-feira (06.04) em Matarara, na província de Manica, no centro de Moçambique.

Segundo informações da agência Lusa, homens invadiram um estaleiro utilizado para transporte de madeira ainda durante a madrugada e incendiou sete camiões de carga e dois 'bulldozers'.

O grupo seria composto por sete homens - cinco armados e dois com catanas. Um cidadão vietnamita morreu decapitado no ataque. "Mataram com catana e deixaram-no na mata onde fomos recuperar o corpo", disse o sobrevivente José Chimudondo.

Autoridades de saúde de Dombe confirmaram à agência de notícias a entrada do corpo da vítima.

Um outro sobrevivente relatou que os atacantes retiraram os trabalhadores do estaleiro das suas palhotas e os agruparam. O objetivo do grupo com a ação seria dar um "recado".

"Eles diziam que as pessoas estão a morrer por culpa de Ossufo [Momade]", afirmou à Lusa Manuel Jone, um guarda do estaleiro, que escapou das mãos dos atacantes.

Sequência de ações violentas

Momade é o presidente da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) - principal partido da oposição em Moçambique - que em agosto de 2019 assinou um acordo de paz com o Presidente Filipe Nyusi. O texto prevê o desarmamento e integração de membros do partido às Forças Armadas de Defesa e Segurança de Moçambique.

O acordo e a liderança de Momade são contestados por um grupo de guerrilheiros dissidentes liderados por Mariano Nhongo – a chamada autoproclamada junta militar da RENAMO. Na semana passada, os dissidentes deixaram um morto e vários feirdos em ataques na região.

Jone disse que o grupo armado foi claro quanto a sua insatisfação: "Nós estamos no mato a sofrer enquanto Ossufo está na cidade", teriam dito durante o ataque.

Segundo as testemunhas, os homens exigiram dinheiro e alimentos, mas durante a retirada não conseguiram carregar a farinha de milho e o peixe seco guardado pelos trabalhadores.

O estaleiro fica cerca de 10 quilómetros da Estrada Nacional 01 - a principal ligação entre o sul e o norte de Moçambique – que tem histórico de incursões de homens armados. Ataques do género intensificaram-se nos últimos dias. Desde agosto, estes ataques já mataram 23 pessoas.

por:content_author: Agência Lusa

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