O filho de Anastácio Matavele afirmou esta terça-feira (19.05) que o pai exercia a sua função de observador eleitoral e ativista da sociedade civil com liberdade e independência, o que pode ter desagradado a algumas pessoas.

Licínio Matavele depôs como declarante no reatamento do julgamento do homicídio do seu pai, que decorre no Tribunal Judicial da Província de Gaza, sul de Moçambique.

O observador levava aos "fóruns apropriados as preocupações do povo", acrescentou Licínio, mas admitiu não saber em concreto as razões do homicídio.

O filho criticou o facto de um dos arguidos no caso se encontrar foragido, exprimindo dúvidas em relação à seriedade do Estado para a sua captura.

Licínio Matavele também disse desconhecer se o seu pai era alvo de ameaças.

Albino Matavele, irmão do ativista, e Stélio Muainga, sobrinho de Anastácio Matavele, declararam ao tribunal que nunca tomaram conhecimento de qualquer ameaça em relação à vítima, não fazendo ideia das razões que levaram ao homicídio.

Membros da UIR são próximos a ser ouvidos

Na quarta-feira, o tribunal vai ouvir na qualidade de declarantes membros da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), a polícia antimotim moçambicana à qual pertencem os seis agentes acusados de envolvimento no homicídio.

Anastácio Matavele foi morto a 07 de outubro de 2019, em pleno dia, por um grupo de polícias que se fazia transportar numa viatura que sofreu de seguida um despiste.

Dois polícias morreram no acidente, um continua foragido e outros seis respondem no banco dos réus (além de um civil), tendo sido ouvidos na semana passada, que marcou o arranque do julgamento. O caso mereceu condenação no país e no estrangeiro, dado o caráter violento, em plena campanha eleitoral, à beira da votação geral moçambicana.

por: Agência Lusa

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