Em Moçambique, a campanha eleitoral rumo às eleições presidenciais de 15 de outubro iniciou de forma ordeira e pacífica. É como dizem as autoridades e observadores, mas o mesmo não pode dizer Mário Albino, candidato presidencial do partido extraparlamentar Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), que diz estar a ser vítima de ameaças de morte desde o início do processo, por parte de pessoas de supostamente ligada à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder).

Mário Albino diz que, primeiro, foi alertado por um dos militantes do seu partido de que "a FRELIMO estava a planificar assassinar o candidato a Presidente da República do AMUSI". O intuito seria evitar canalizar para o AMUSI as verbas do Estado destinadas ao financiamento dos partidos políticos concorrentes às eleições, para não "fazer crescer o partido no norte do país".

A seguir, ainda segundo o candidato presidencial, foram vistas pessoas estranhas junto à sede do AMUSI em Nampula. Questionadas por membros do partido, os estranhos identificaram-se como sendo do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), embora não apresentassem qualquer credenciação, afirma Albino.

"Como se não bastasse, constatámos aqui [na segunda-feira] uma viatura preta, por volta das 18 horas. Tentámos cercá-la, mas pôs-se em fuga", acrescenta. "E, mesmo na entrada da minha casa, encontrei uma viatura que bloqueava a minha entrada, mas os meus homens escorraçaram aquele homem", acrescenta o candidato presidencial.

Manuel Silvestre, outro membro do AMUSI, diz à DW África que testemunhou parte das ameaças ao seu líder.

"De facto, nós estamos a ver ameaças, porque é estranho o que aconteceu na semana corrente", afirma Silvestre. "Estão a aparecer pessoas estranhas com carros de vidros fumados, e constatamos que tudo isso é uma ameaça para o nosso líder. Eu vivi esta situação. Um carro preto bloqueou a viatura do nosso presidente, e foi sorte, porque senão teria sido fatal, uma vez que não tinha segurança naquela hora."

Mário Albino garante que não se deixa intimidar

Mário Albino, um dos quatro candidatos à Presidência da República de Moçambique, diz que já informou as autoridades policiais, mas sublinha que não se deixa intimidar.

"Queremos apelar à FRELIMO para parar com essas provocações, e o mundo deve estar atento", afirma Mário Albino. "Nós estamos preocupados. Tem a comunidade internacional que faz doações a este país e devia inscrever-se como supervisora neste processo de campanha eleitoral. A chamada sociedade civil não está a aparecer. Estão onde? Aparecerão só depois de muito barrulho?"

Entretanto, a FRELIMO afasta qualquer possibilidade de envolvimento dos seus membros nas alegadas ameaças. Ao mesmo tempo, acusa o AMUSI de falta de agenda e de manifesto político, pelo que optaria por fazer "malabarismo".

"A FRELIMO é um partido de paz e tranquilidade. Temos um manifesto eleitoral e temos uma agenda para a campanha eleitoral e nós achamos que todos os partidos políticos têm de fazer a mesma coisa e não procurar malabarismo, para tentar confundir a opinião pública", afirma o porta-voz Caifadine Manasse.

A DW África tentou obter uma reação da Polícia da República de Moçambique (PRM) sobre as denúncias do partido AMUSI, sem sucesso.

Recorde-se que, desde que iniciou a campanha eleitoral, no sábado (31.08), o candidato presidencial do AMUSI trabalha apenas na província de Nampula e sem material de campanha, devido à falta de canalização de verbas por parte dos órgãos eleitorais.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Paulo Cuinica, afirmou, entretanto, que a sua instituição transferiu verbas para todos os partidos, exceto dois que ainda não tinham entregado os dados bancários, sem no entanto referir se um deles era o AMUSI.

por:content_author: Sitoi Lutxeque (Nampula)

 

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