“Queremos ser epicentro deste processo de assistência às cadeias de valor”, referiu o chefe de Estado na abertura da 6.ª Cimeira de Gás de Moçambique, evento anual que junta empresas do setor, numa altura em que o país está a três anos de iniciar a produção e exportação de gás natural liquefeito (GNL).

“Não queremos ser periféricos neste processo de diversificação e dinamização da economia do nosso país”, referiu, defendendo antes o papel de “atores relevantes” em termos de mão-de-obra, fornecimento de bens e prestação de serviços.

Filipe Nyusi recomendou uma aposta no “associativismo e cooperação empresarial”, com um argumento simples: “a experiência mostra que a união faz força”.

“Ninguém será vitorioso atuando neste mercado de forma isolada” e por isso são necessárias “sinergias”, sublinhou.

“É uma estratégia simples, mas eficaz” e que permitirá “certificar a qualidade” das empresas, para que possam obter aprovação para concorrer e participar em negócios relacionados com os investimentos na exploração de gás natural.

“Os nossos empresários devem preparar-se para os desafios que se impõem nesta indústria para explorarmos ao máximo os seus benefícios”, acrescentou.

Ou seja, haverá legislação a regular, promover e a estabelecer a participação mínima de mão-de-obra e produtos moçambicanos nos megaprojetos, mas isso não basta.

“A lei [do conteúdo local ou nacional], por si só, pode sair amanhã ou no próximo semestre”, mas “o que é preciso é que nos preparemos e tenhamos empresas de qualidade e credíveis”.

O setor deverá lançar bases para a industrialização da área energética, siderúrgica, petroquímica e outras, referiu, mas também para deverá ser o motor de crescimento de outras áreas como o turismo, artes e cultura, destacou Nyusi, que insistiu na necessidade de diversificação da economia.

Nyusi disse ainda que o país não pode continuar a “acomodar conflitos”, porque “tem tudo para dar certo” com investimentos em gás e petróleo capazes de o tornar próspero “rapidamente”.

Filipe Nyusi fazia o apelo à segurança numa altura em que há ameaças no Centro e Norte do país.

No Centro, grupos armados já mataram 10 pessoas desde agosto em ataques contra civis e autoridades, num reduto de guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), oposição, que se dividiram – sendo que a direção da Renamo se distancia da violência e diz-se fiel ao acordo de paz de 06 de agosto.

No Norte, uma vaga de ataques que teve origem em mesquitas radicalizadas da província de Cabo Delgado já terá matado 300 pessoas na região onde nascem os megaprojetos de exploração de GNL.

“Cada moçambicano é chamado a ter essa responsabilidade individual e coletiva”, de defender a paz e segurança do país, referiu Nyusi.

“O gás não se come, nem sequer se fuma”, acrescentou, para concluir: “vamos continuar a investir na agricultura”.

Os megaprojetos de exploração de GNL vão arrancar em 2022 e devem colocar Moçambique entre os maiores produtores mundiais nos dez anos seguintes, prevendo o Fundo Monetário Internacional (FMI) que a economia do país possa chegar a crescer mais de 10% ao ano.

Os investimentos da ordem dos 50 mil milhões de dólares são feitos por dois consórcios que operam nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, ao largo da costa Norte de Moçambique, e que são liderados pelas petrolíferas Total, Exxon Mobil e Eni.

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