O Ministério Público italiano ordenou a apreensão da embarcação humanitária espanhola “Open Arms” e o desembarque imediato dos mais de 80 migrantes ainda a bordo do navio, que estava ancorado perto do porto de Lampedusa.

A decisão do procurador de Agrigento, na Sicília, é o último episódio de uma saga que começou quando o navio humanitário “Open Arms” resgatou, em 01 de agosto, 147 pessoas do mar Mediterrâneo ao largo da Líbia, mas os dois países mais próximos, Itália e Malta, recusaram-lhe o acesso aos seus portos.

Duas semanas depois, a organização não-governamental espanhola que opera o navio, a Proativa Open Arms, avisou que a situação estava “fora de controlo”, num vídeo gravado numa lancha frente ao navio.

As cenas de pânico entre os migrantes multiplicaram-se nos últimos dias, de acordo com o testemunho da tripulação, e nove pessoas lançaram-se ao mar para tentar nadar até Lampedusa, mas foram recolhidas por barcos salva-vidas.

Outros migrantes foram retirados da embarcação devido a questões de saúde.

No sábado, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, autorizou o desembarque de 29 menores que estavam a bordo do navio e, no dia seguinte, o Governo espanhol propôs receber o navio em Algeciras face à “inconcebível” recusa de Itália em autorizar o desembarque.

No entanto, a “Open Arms” declinou a oferta, tendo uma porta-voz explicado ser impossível viajar até Algeciras dada a “situação insustentável” a bordo.

Na terça-feira, antes da decisão de apreender o navio, o ministro dos Transportes italiano tinha agradecido a Espanha o envio de um navio militar para transportar os migrantes do “Open Arms” até Palma de Maiorca e disse esperar que a organização seja impedida de continuar a operar.

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