Merkel falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, parte de uma visita de Estado de dois dias à China.

A chancelar vai jantar à noite com o Presidente chinês, Xi Jinping.

Merkel enfrenta em Pequim o desafio de equilibrar preocupações sobre direitos humanos e interesses económicos com um dos maiores parceiros comerciais da Alemanha.

“Eu referi, durante o diálogo, que os direitos e liberdades acordados na Lei Básica [miniconstituição] de Hong Kong devem ser salvaguardados”, afirmou Merkel, durante uma conferência de imprensa com Li Keqiang.

Merkel acrescentou que o diálogo político – não a violência – é o caminho para uma resolução.

As declarações de Merkel surgem depois de, numa carta aberta publicada esta semana, os líderes dos protestos em Hong Kong terem apelado à chanceler para que exercesse pressão junto de Pequim.

A China tem criticado o que considera uma interferência estrangeira de países como os EUA e o Reino Unido na crise em Hong Kong.

Os protestos em Hong Kong, que duram há mais de três meses, têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia.

O clima de contestação social resulta da apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Esta semana, os manifestantes obtiveram uma importante vitória, com a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, a retirar o projeto de lei, mas a concessão foi rejeitada pelos ativistas como “muito pouco, muito tarde”.

As manifestações generalizaram-se, entretanto, e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica, enquanto apelam à demissão de Carrie Lam, pró-Pequim, e à eleição de um sucessor por sufrágio universal direto, e não nomeado pelo Governo central.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei da extradição garantem estar agora em causa.

A China foi no ano passado o maior parceiro comercial da Alemanha, com o comércio a ascender a 199 mil milhões de euros. O investimento alemão na China aumentou de 30 mil milhões de euros, em 2010, para 81 mil milhões, em 2017.

A China é de longe o mercado mais importante para as grandes empresas da Alemanha e, a acompanhar Merkel, estão os líderes da indústria automóvel alemã a executivos das indústrias de semicondutores, logística, serviços financeiros ou energia.

O relacionamento é vital para a maior economia europeia, sobretudo quando é provável que Berlim enfrente uma recessão técnica este trimestre.

A Alemanha é também uma das poucas economias da União Europeia que mantém um superavit comercial nas trocas com a China, devido ao fornecimento de equipamentos e componentes para as fábricas chinesas.

Mas Berlim tem subido o tom nas reclamações sobre o restrito acesso ao mercado chinês e a política de Pequim para o setor tecnológico.

A China tentou, sem sucesso, recrutar a Alemanha como aliada, na guerra comercial que trava com o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Embora o governo de Merkel tenha ecoado as reclamações dos EUA, sobre transferência forçada de tecnologia e a atribuição de subsídios por Pequim às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa, opõe-se às táticas de Trump.

Em Pequim, Merkel visitará também a empresa alemã de engenharia ZF Fredrichshafen.

No sábado, a chanceler viajará para Wuhan, capital da província central de Hubei, onde inaugurará as obras para expandir a fábrica da montadora alemã Webasto e discursará na Universidade de Wuhan.

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