“É preciso que o Estado tenha muita atenção à situação [na província de Cabo Delgado], para que o país não fique refém e no futuro negoceie com os insurgentes”, declarou Daviz Simango à comunicação social, à margem de um reunião do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na província de Sofala, centro do país.

O político, que é também autarca da cidade da Beira, afirmou que os ataques armados que assolam alguns distritos na província de Cabo Delgado podem aumentar de escalada, se forem desvalorizados.

"Este problema não é do partido no poder, nem da oposição, é de todos os moçambicanos", declarou.

No sábado, seis pessoas morreram e várias ficaram feridas durante um ataque a uma viatura no distrito de Macomia em Cabo Delgado.

Na quinta-feira da semana passada, quatro pessoas foram feridas e uma morreu quando uma caravana de carros da petrolífera norte-americana foi atacada por homens armados no distrito de Palma, em Cabo Delgado.

O ataque foi o primeiro a alvos de uma empresa envolvida em projectos de exploração de gás natural.

Desde Outubro de 2017, já terão morrido entre 100 a 150 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança e, pela primeira vez, um trabalhador na construção do empreendimento.

A onda de violência eclodiu após um ataque armado a postos de polícia da vila de Mocímboa da Praia por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes desde há dois anos.