"Informei o Comité de Concertação Permanente [CCP] da CPLP que o processo de desarmamento, desmobilização e reintegração de militares da Renamo [DDR] já começou, e está a ter bons desenvolvimentos, decorrendo de acordo com o calendário previsto pelas partes", afirmou à Lusa Joaquim Bule.

Porém, considerou que se trata de "um processo complexo, difícil e sensível, porque implica um grande espírito de perdão, tolerância e de aceitação do regresso das pessoas que estiveram nas matas".

Questionado sobre algumas críticas da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, maior partido da oposição em Moçambique) à forma como algumas partes do processo têm estado a decorrer, o embaixador recusou-se a fazer qualquer comentário.

O processo de desmilitarização e reintegração dos militares da Renamo nas Forças Armadas e de Segurança de Moçambique foi hoje um dos temas centrais da reunião mensal do CCP da CPLP, na qual estão reunidos os representantes dos nove Estados-membros da organização.

Os diplomatas receberam "com muita satisfação" a informação do embaixador de Moçambique em Lisboa sobre o "processo de integração dos militares da Renamo", afirmou, por seu lado, à Lusa o representante de Cabo Verde, que até julho de 2021 detém a presidência rotativa da organização.

"Foi com muita satisfação que recebemos a informação do embaixador de Moçambique de que já teve início o processo de integração das forças da Renamo" nas Forças Armadas do país, afirmou o diplomata cabo-verdiano.

Para Eurico Monteiro, os embaixadores dos Estados-membros da CPLP "acolheram com entusiasmo e uma esperança muito forte as informações transmitidas pelo embaixador de Moçambique, e esperam que este processo seja para continuar, porque é o caminho que deve ser seguido" pelo país e que lhe permite concentrar esforços noutras áreas.

No início deste mês, a Renamo acusou o Governo moçambicano de violar o espírito do acordo de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR), ao excluir oficiais do braço armado do principal partido da oposição de posições de chefia no Comando-Geral da Polícia.

Depois de um arranque simbólico no ano passado, o DDR - acordo de desarmamento, desmobilização e reintegração, esteve paralisado durante vários meses, tendo sido retomado em 04 de junho e vai envolver 5.000 membros do braço armado do maior partido da oposição.

Desde então já foram abrangidos 38 ex-guerrilheiros em Savane, 251 ex-guerrilheiros em Chibabava e outros 303 em Dondo, na província de Sofala, centro do país.

Na reunião do comité de concertação permanente (CCP) da CPLP de hoje foram ainda discutidos os novos agendamentos de reuniões da organização, que foram suspensas por causa da pandemia de COVID-19, entre estas o conselho de ministros extraordinário, onde deveria ser aprovada a proposta sobre mobilidade entre os vários Estado-membros, e da cimeira de chefes de Estado em Luanda, mas ainda não ficou nada definido.

"Ainda não temos uma agenda fechada", afirmou à Lusa Eurico Monteiro.

Segundo o diplomata, este CCP deu apenas a indicação de que deverá realizar-se uma reunião extraordinária de ministros da Saúde, bem como outras reuniões ministeriais e o conselho de ministros extraordinário até ao final deste ano, mas ainda sem datas concretas.

Além de Cabo Verde e Moçambique são Estados-membros da CPLP: Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

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