A antiga Primeira-Ministra moçambicana, Luísa Diogo defendeu esta quarta-feira que as mulheres devem ser envolvidas nos propósitos de desenvolvimento do país, para que a evolução sócio-económica seja, de facto, sustentável.

A ex-governante considera que a inclusão social das mulheres não se afigura um acto de solidariedade, mas uma necessidade incontornável para o rápido crescimento da economia moçambicana.

“Só se pode construir uma sociedade próspera de forma inclusiva, se houver garantia da participação de todos. O processo de inclusão não é acrescentar, mas integrar o diverso e formar um só, com respeito nas diferenças”, explicou.

Luísa Diogo frisou que aprendeu sobre a questão da igualdade no seio familiar e que o seu sucesso individual só foi possível porque teve, na casa dos pais, a mesma oportunidade que era dada aos rapazes.

“Éramos 14 crianças e o nosso lema apregoava que todos tivéssemos a mesma oportunidade, embora nem todos tínhamos a mesma capacidade”, rematou.

A Presidente do Conselho de Administração do Barclays Bank de Moçambique falava em Maputo, sobre a “Inclusão Social como Alavanca para o Desenvolvimento Sustentável”, tema do 1º painel da 2ª edição do Grande Fórum Económico e Social de Moçambique, MOZEFO 2017, aberta oficialmente esta quarta-feira.

Diogo elucidou três dimensões que devem ser consideradas no processo de inclusão social, nomeadamente, a transição geográfica, a integração do género e a diversidade de ideias e opiniões.

“A população que migra para as vilas e cidades está cada vez mais volumosa. É preciso planificar as políticas de saúde, educação e acesso ao emprego, sobretudo para os jovens, de acordo com essa realidade. O acesso ao conhecimento deve, igualmente, abranger as mulheres, para que elas participem activamente no seu empoderamento. Por outro lado, é fundamental olhar para o pluralismo de ideias como um factor-chave para a criação de iniciativas que enriqueçam a agenda de desenvolvimento do país”, vincou.

Foram, igualmente, painelistas do primeiro debate, no MOZEFO 2017, o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Omar Mithá e o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Quilambo.

Orlando Quilambo apontou, também, o empoderamento das mulheres como preponderante para o desenvolvimento sustentável. O académico considera que o acesso ao conhecimento é fundamental.
“O mundo deve precaver-se da exclusão social decorrente das capacidades cognitivas e tecnológicas. Nesse âmbito, nós, como Universidade Eduardo Mondlane, reduzimos as taxas das propinas colocando-as como as as mais baixas da região da SADC, justamente por reconhecer que a melhor forma de inclusão é através do conhecimento, principalmente para as mulhres”, afirmou Quilambo.

Omar Mithá referiu, por seu turno, que para tornar a inclusão social efectiva, esta deve ir para além da promulgação de leis e impulsionar ideias que promovam a diversidade, na gestão dos recursos. “A riqueza deve servir para diversificar a economia. Urge a criação de condições para que os programas de conteúdo local sejam muito mais abrangentes”, defendeu

O MOZEFO prossegue hoje, no seu segundo dia de debates.

Serão interlocutores, Vicente Fox, Oldemiro Baloi, Orlando Quilambo, Taisa Mattos e Narciso Matos no painel sobre “O capital humano e a economia do conhecimento” e Graça Machel, Saul Moris, Marie Kayshire e Ana Piedade Mondeiro, para discutir “O conhecimento como acelerador da igualdade do género”.

António Monjane | SAPO


Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.