Os líderes religiosos das províncias de Manica, Sofala e Tete condenam com veemência os ataques a civis nas estradas do centro de Moçambique. Os episódios de violência atribuídos ao braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) têm sido cada vez mais frequentes e visam viaturas de passageiros e camiões de longo curso que circulam naquela zona. Os ataques já fizeram dezenas de mortos e feridos.

Eduardo Tivane, delegado do Conselho Cristão na província de Sofala, desafia os homens armados a pararem com os ataques, porque o povo não tem culpa.

"Apelamos a todos aqueles que vivem de forma diferente, com uma forma de pensar diferente, para virem construir e consolidar esta paz", diz Tivane. O delegado do Conselho Cristão apela ainda ao Governo para negociar com os atacantes: "Vamos fazer o possível, de modo a que estas pessoas que estão ainda a conviver com armas se libertem e vivam com os seus progenitores".

Reintegração social

Somar Salé, delegado do Conselho Islâmico na província de Tete, condena a atitude dos atacantes e lembra que eles têm espaço na sociedade.

O líder islâmico desafia igualmente os homens armados a abandonarem as matas e reintegrarem-se na sociedade. "Os nossos irmãos que estão nas matas têm espaço, como todo o moçambicano tem espaço, para seguir socialmente e contribuir para o desenvolvimento de Moçambique".

Entretanto, Pereira Creva Gama, presidente do Encontro Fraternal das Igrejas da província de Manica e do ponto focal do "Clube da Paz", disse que os líderes têm estado a orar pelo fim da violência."É preciso desarmar a mente do militar para ele se integrar na vida civil e na vida social na comunidade".

O responsável fez saber ainda que o "Clube da Paz" está a traçar estratégias visando "desarmar as mentes" dos guerrilheiros da RENAMO para a sua reintegração na sociedade. Entre os planos da organização está a sensibilização das comunidades para conviver com os guerrilheiros que baixarem as armas.

O centro de Moçambique foi historicamente palco de confrontos entre as forças governamentais e o braço armado da RENAMO. Mas, em agosto deste ano, a paz foi selada através de um acordo.

No entanto, permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, que formaram a chamada "Junta Militar" da RENAMO, que contesta a liderança de Ossufo Momade e defende a renegociação do seu desarmamento e reintegração na sociedade.

por: Bernardo Jequete (Chimoio)

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