Em conferência de imprensa, Idrissa Djaló revelou uma gravação áudio, em crioulo, em que se ouve um homem, durante seis minutos, a proferir ofensas e ameaças de violência física e de morte contra a sua pessoa.

O homem considera Djaló como sendo “uma voz incómoda e perturbadora”, um elemento de atraso no avanço da Guiné-Bissau e da afirmação do estado de direito democrático.

O homem acusa ainda Idrissa Djaló de beneficiar do erário público em troca de perturbação do poder político, dando o exemplo da forma como sempre criticou o antigo Presidente guineense José Mário Vaz.

“É chegada a altura de te fazer desaparecer, tu Idrissa Djaló. Estamos decididos para matar 20, 40 pessoas para que o resto dos guineenses vivam melhor. Estamos decididos a fazer isso”, disse o homem.

Sempre em tom de ameaça, o homem desafiou Idrissa Djaló a insultar o novo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, prometendo-lhe “represálias sérias”.

O ameaçador de Djaló criticou o facto de este se ter levantado contra o espancamento do deputado Marciano Indi, explicando que aquele foi raptado e agredido fisicamente, na passada sexta-feira, por ter insinuado que Sissoco Embaló não ganhou as eleições presidenciais e que chegou à liderança do país pela força dos militares.

O homem afirmou ainda que a Guiné-Bissau “deixou de ser uma república das bananas” e que quem insultar a figura do Presidente da República será castigado.

“Tu, Idrissa Djaló, fica sabendo que és o próximo. Estamos decididos a fazer-te desaparecer, vocês os perturbadores da Guiné”, avisou o homem, referindo que o atual poder veio para ficar na Guiné-Bissau.

E instou os apoiantes de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e candidato derrotado nas eleições presidenciais de dezembro, a irem viver com aquele, que se encontra atualmente em Lisboa.

Depois de exibir a gravação para os jornalistas, Idrissa Djaló disse que não vai abandonar o combate político “pela afirmação do estado de direito, pela verdade e justiça” na Guiné-Bissau e que se isso lhe custar a vida “então que assim seja”.

Djaló avisou que o país poderá estar a caminhar para confrontação na medida em que, disse, os guineenses “não vão permitir assassínios seletivos, como no passado” e deu o exemplo da resposta da população da vila de Safim no dia em que o deputado Marciano Indi, da Assembleia do Povo Unido — Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) foi raptado por desconhecidos.

O líder do PUN disse estar a vislumbrar sinais de que os guineenses “nunca mais vão permitir que os seus eleitos sejam assassinados” em consequência de jogos políticos e deu o exemplo de desmembramento de países africanos em consequência de violência gratuita em nome do estado.

“Ninguém tem o monopólio da violência. A sociedade tem limites de aceitação da violência e quando esta é inaceitável traz a revolta e a guerra”, observou Idrissa Djaló.

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