O líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Momade, considera que as Forças de Defesa e Segurança, ao lidarem com a situação em Cabo Delgado, devem aperfeiçoar a estratégia militar, de modo a restabelecer a segurança das populações e não perderem tempo à procura de culpados.

"O que resta ao Governo do dia é, sem reservas, pedir os necessários apoios antes que seja tarde, seguindo os ditames da nossa Constituição da República. A este propósito, torna-se questionável o envio de forças estrangeiras no teatro de operações sem observar esses ditames constitucionais", afirmou o líder da RENAMO esta terça-feira (23.06).

As autoridades moçambicanas têm sido acusadas de utilizar mercenários estrangeiros no combate ao grupo armado em Cabo Delgado. Desde 2017, a província tem sido palco de ataques que provocaram já centenas de mortos e feridos para além de milhares de deslocados.

Segundo Ossufo Momade, "é também obrigação do Governo do dia abrir a cortina que encobre os interesses e guerras grupais dentro da nomenclatura, como forma de poupar vidas de cidadãos inocentes."

DDR em curso

Na sua comunicação a nação, Momade disse ainda que a RENAMO assiste com satisfação ao prosseguimento da Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) das suas forças residuais.

"Estamos determinados a concluir [este processo] com sucesso, dignidade e humanismo", afirmou.

O líder da RENAMO reiterou a condenação e o distanciamento do partido aos ataques armados no centro do país, cuja responsabilidade tem sido atribuída à autodenominada "Junta Militar", liderada por Mariano Nhongo.

"Os que atacam na zona centro agem por conta própria e fora da filosofia e orientações do partido RENAMO", adverte Momade.

Faltam políticas arrojadas

Falando sobre o novo coronavírus, Ossufo Momade afirmou que o número atual de casos da Covid-19 indica que o país caminha para um estágio mais difícil e apela à tomada de medidas arrojadas e à alocação de recursos para fazer face à pandemia.

No seu balanço sobre os 45 anos da Independência Nacional, o líder da RENAMO disse que o atraso que o país regista resulta da falta de políticas viáveis e consentâneas com a realidade.

De acordo com Momade, "enquanto os governantes não adotarem filosofias de desenvolvimento claras, enquanto a má governação, a partidarização do Estado, a corrupção, o nepotismo, o clientelismo, a exclusão social, a negação da coabitação política pacífica e a ascensão ao poder através da violência constituírem a forma de ser e estar do partido no poder, Moçambique continuará sempre na cauda do desenvolvimento."

"Ao longo destes 45 anos de independência nacional, os governantes tornaram-se nos novos opressores e optaram por políticas setoriais de exclusão e por isso falharam", concluiu Ossufo Momade.

por: Leonel Matias (Maputo)

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