“Se quiserem salvar Moçambique, estas eleições devem ser anuladas. O Conselho Constitucional deve, através do nosso recurso, respeitar a vontade do povo moçambicano”, disse Ossufo Momade, falando durante um comício na cidade Pemba, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Durante a intervenção, o líder do principal partido da oposição em Moçambique afirmou que o seu partido não está interessado na guerra, advertindo, no entanto, que a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) não tem medo da guerra”.

“Não vamos aceitar que um punhado de pessoas altere aquilo que é a vontade dos moçambicanos”, frisou Ossufo Momade.

O líder da Renamo reiterou que os grupos que têm protagonizado ataques armados contra viaturas no centro do país, na Estrada Nacional n.º 1, não são da Renamo, contrariando a versão das autoridades moçambicanas que têm vindo a responsabilizar o braço armado do partido pelos ataques, que já provocaram pelo menos 10 mortos.

“Aquele grupo que está a disparar no centro de Moçambique não está ligado à Renamo. Nós respeitamos aquilo que assinámos no dia 06 de agosto [Acordo de Paz e Reconciliação assinado em Maputo], mas não vamos deixar que se altere a vontade do povo”, frisou.

Ossufo Momade acusou ainda a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) de estar a tentar “empurrar o país para a guerra” com a alegada fraude nas eleições.

“Querem-nos na guerra para que eles fiquem a roubar”, concluiu o líder da Renamo.

Os resultados eleitorais anunciados pela Comissão Nacional de Eleições deram larga vantagem à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), cujo candidato foi reeleito à primeira volta para um segundo mandato como Presidente, com 73% dos votos.

Para o parlamento, a Frelimo conseguiu eleger 184 dos 250 deputados, ou seja, 73,6%, mais de dois terços dos lugares necessários para aprovar alterações constitucionais.

A zona centro do país, onde têm sido registados os ataques atribuídos ao braço armado da Renamo, foi historicamente palco de confrontação entre forças governamentais e o braço armado daquele partido da oposição até dezembro de 2016, ocasião em que as armas se calaram, tendo a paz sido selada num acordo subscrito em 06 de agosto.

Permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, que formaram uma autoproclamada Junta Militar para contestar a liderança da Renamo por Ossufo Momade e defender a renegociação do seu desarmamento e reintegração na sociedade.

O grupo de guerrilheiros liderado por Mariano Nhongo já ameaçou por mais do que uma vez recorrer às armas caso não seja ouvido, mas, por sua vez, também se diz perseguido por outros elementos desconhecidos.

O mesmo tipo de violência naquela região aconteceu em 2015, em período pós-eleitoral, quando Afonso Dhlakama (antigo líder da Renamo) rejeitou a vitória da Frelimo, mas negando o envolvimento nos confrontos.

A polícia tem acusado a Renamo de ser responsável pelos ataques devido à farda verde de alguns agressores, sem distinguir grupos dissidentes dos que permanecem fiéis à liderança do partido.

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