"Quando fomos ao congresso, abrimos espaço para que todos se candidatassem. O congresso elegeu Ossufo Momade. Não é através de um grupo de desertores indisciplinados que vamos definir a nossa linha", disse Ossufo Momade, falando à imprensa momentos após aterrar no Aeroporto Internacional de Maputo, onde foi recebido por centenas de membros do partido.

Em causa estão as contestações de um grupo liderado pelo major-general da Renamo Mariano Nhungue e que se autodenomina Junta Militar da Renamo. O grupo exige a renúncia de Ossufo Momade, acusando-o de estar a "raptar e isolar" oficiais da Renamo que estiveram sempre ao lado do falecido presidente do partido, Afonso Dhlakama, que morreu a 03 de maio do ano passado.

Para Ossufo Momade, a Renamo tem os seus estatutos e uma estrutura política em funcionamento, mecanismos que devem orientar as pessoas que têm opiniões diferentes.

"É um grupo de indisciplinados", frisou o presidente da Renamo, acrescentando que "o mais importante agora é paz".

Ossufo Momade, que vivia numa das principais bases da Renamo nas matas da Gorongosa desde junho de 2018, ainda como líder interino, após a morte de Afonso Dhlakama, garantiu também que caso o acordo seja cumprido não vai voltar às matas.

"Eu vim para cá [Maputo] por causa de um compromisso que assumi com os moçambicanos e se esse acordo for cumprido eu não volto", acrescentou o presidente da Renamo, que foi eleito presidente no último congresso do partido em janeiro.

Questionado sobre um ataque na quarta-feira contra um autocarro de passageiros e um camião em Nhamapadza, a 200 quilómetros do distrito de Gorongosa, onde foi assinado o acordo, Ossufo Momade não quis comentar.

O ataque ocorreu algumas horas após o Presidente moçambicano ter anunciado no parlamento a assinatura do acordo de cessação das hostilidades militares com o líder da Renamo.

Nas últimas semanas, um grupo de guerrilheiros do braço armado do principal partido da oposição alertou o Governo para a continuação da instabilidade militar no país, caso assinasse o acordo de cessação das hostilidades militares com Ossufo Momade, exigindo a renúncia deste do cargo de presidente da Renamo.

O acordo hoje assinado na serra da Gorongosa marca, formalmente, o fim dos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado do principal partido da oposição.

As partes vão ainda assinar este mês um outro acordo geral de paz final, que será depois submetido como proposta de lei ao parlamento.

O Governo e a Renamo já assinaram em 1992 um Acordo Geral de Paz, que pôs termo a 16 anos de guerra civil, mas que foi violado entre 2013 e 2014 por confrontos armados entre as duas partes, devido a diferendos relacionados com as eleições gerais.

Em 2014, as duas partes assinaram um outro acordo de cessação das hostilidades militares, que também voltou a ser violado até à declaração de tréguas por tempo indeterminado em 2016, mas sem um acordo formal.

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