O empresário português foi raptado a 29 de julho de 2016, em Nhamapadza (província de Sofala) numa estação de abastecimento de combustíveis, por homens fardados, que algemaram o empresário e o colocaram numa viatura descaracterizada, abandonando depois o local.

O tema voltou à agenda mediática e política no início deste mês, durante a IV Cimeira entre Portugal e Moçambique, quando o presidente moçambicano Filipe Nyusi se encontrou com o primeiro-ministro António Costa em Lisboa.

Na altura, questionado pelos jornalistas, Nyusi desvalorizou a questão por não se tratar de “um assunto de Estado”, mas garantiu que o governo moçambicano tudo fez para esclarecer o caso e fez questão de abordar o tema com António Costa.

O primeiro-ministro português, por seu turno, manifestou plena confiança nas autoridades moçambicanas e garantiu que “esta infeliz circunstância” não iria perturbar a relação entre os dois países.

Quem não está disposta a desistir é a mulher do empresário português, Salomé Sebastião, que há três anos procura respostas para solucionar o mistério que envolve o desaparecimento do marido.

Desmultiplicando-se em contactos diplomáticos e políticos, Salomé Sebastião tem pressionado as autoridades dos dois países para não esquecerem o caso (arquivado em outubro do ano passado). Encontrou-se com Nyusi e Costa, foi recebida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e enviou petições à Assembleia da República moçambicana, insistindo para que seja aceite a cooperação judicial e judiciária proposta por Portugal.

Embora estejam vigentes instrumentos bilaterais e acordos de cooperação jurídica e judiciaria entre os dois países, tal como noutras áreas, o governo moçambicano nunca aceitou a ajuda portuguesa.

Em fevereiro deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Portugal anunciou ter oferecido ajuda judiciária à homóloga de Moçambique ao abrigo da cooperação entre os dois países, para investigar o desaparecimento.

Mas em abril, a procuradora-geral de Moçambique afirmou, no parlamento moçambicano que não tinha recebido “um pedido formal” dos portugueses, disponibilizando apoio na investigação do caso.

Em julho, Nyusi nada esclareceu sobre o assunto, durante a sua primeira visita de Estado a Portugal desde que foi eleito, em outubro de 2014.

No ano passado, também em julho, António Costa tinha feito a sua primeira deslocação oficial a Moçambique como chefe do Governo.

Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa elegeu Moçambique para a sua primeira visita de Estado ao estrangeiro, de quatro dias, em maio de 2016, e anunciou que gostaria de repetir o destino ainda este ano caso o presidente Nyusi manifestasse também essa vontade.

O que acabou por acontecer com um convite oficializado a 04 de julho durante a visita de Estado do presidente moçambicano a Portugal.

As relações entre os dois países têm sido marcadas também pela solidariedade recíproca que uniu portugueses e moçambicanos afetados por tragédias distintas.

Nyusi, que exprimiu "pesar e solidariedade" ao Governo português na sequência do incêndio de Pedrógão Grande, que provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, fez questão de realçar na sua visita a Portugal, o envolvimento português na ajuda às vítimas dos ciclones Idai e Kenneth.

O presidente de Moçambique agradeceu a “explosão de apoios” ao país e quis “render homenagem ao povo português por causa deste calor”.

“Moçambique não vai nunca esquecer esse apoio. Estou aqui, em nome de todos os 28 milhões de moçambicanos, e em nome do meu Governo, a agradecer e reconhecer esse apoio”, disse Nyusi, a 02 de julho após um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa que destacou, por seu lado, a “solidariedade” dos portugueses e a “disponibilidade da tarefa de reconstrução”.

António Costa recordou também que Portugal esteve na primeira linha da resposta de emergência e afirmou a vontade de continuar a apoiar a reconstrução, referindo programas e fundos para o desenvolvimento de Moçambique que, no conjunto, somam mais de 90 milhões de euros.

A passagem devastadora dos ciclone Idai e Kenneth, em março e abril, pelo centro e norte de Moçambique provocaram a morte de centenas de pessoas e milhares de prejuízos estimando-se que o país precise de uma ajuda 3,2 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) para a reconstrução das áreas afetadas.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março, provocando 604 vítimas mortais e afetando cerca de 1,8 milhões de pessoas.

Pouco tempo depois, Moçambique voltou a ser atingido por um ciclone, o Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matando 45 pessoas e afetando outras 250.000.

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