O autor originário da Costa do Marfim, Koffi Kwahulé, está em Maputo por uma semana e para um programa onde vai exibir as diversas facetas da sua carreira artística, numa iniciativa conjunta do Centro Cultural Franco-Moçambicano, Embaixada da França, Teatro Des Asphodèlés, Associação Girassol e Direcção Regional de Acção Cultural da Ilha Reunião.
A primeira acção integrada no programa denominada “Semana com koffi Kwahulé” teve lugar na noite desta quarta-feira onde o autor, encenador e actor falou da sua obra onde se destaca o seu romance Babyface (edições Gallimard) e que mereceu o prémio Ahmadou Kourouma de 2006, assim como foi laureado com o Grande Prémio da Costa do Marfim das Letras, no mesmo ano.

No evento que teve lugar no auditório do CCFM, Kwahulé falou da sua escrita que é muito influenciada pelo Jazz e nela encontra-se a musicalidade do texto e a adopção de um empenho político e histórico semelhante. Desde 1977 que o costa-mafinense escreveu vinte peças de teatro, nas quais aparece com uma escrita forte, que dinamiza o uso habitual da língua: escrita carnal, concebida na violência imediata que pode ter a oralidade na sua dinâmica de fala abrupta, ardente e entre cortada como um ritmo possuído pelo Jazz, segundo fez questão de explicar aos presentes.

Na quinta e sexta-feira, 16 e 17 de Setembro, serão exibidas no CCFM para o público moçambicano algumas peças teatrais escritas por Koffi Kwahulé, algumas das quais estão instaladas numa situação de guerra ou de outra forma de opressão da qual nasce a violência. Várias das suas peças abordam assuntos graves e de actualidade, com destaque para a excisão, o coque entre culturas ancestrais e modernas, a violação, a detenção até ao exílio.

Koffi Kwahulé é um dos autores dramáticos africanos mais representados ao nível internacional e as suas obras estão traduzidas em várias línguas, destacando-se o facto de as suas peças serem criadas na Europa, África, Estados Unidos da América e ainda no Canadá.

Alfredo Lituri (Texto e Fotos)

SAPO MZ