Os advogados têm audição marcada com um juiz do Tribunal Federal de Brooklyn para as 14:30 (locais).

Jean Boustani, detido nos EUA, tem-se declarado inocente das acusações que lhe atribuem o papel de intermediário da empresa de estaleiros navais Privinvest, entregando dezenas de milhões de dólares em subornos a responsáveis das autoridades moçambicanas e banqueiros do Credit Suisse, entre outros.

Os seus advogados têm insistido na sua libertação sob fiança, pretensão que tem sido negada pela justiça.

O libanês tem julgamento marcado para 07 de novembro e a audição de hoje acontece depois de outros dois arguidos, antigos banqueiros do Credit Suisse, terem colaborado com a investigação.

Andrew Pearse, antigo diretor do banco Credit Suisse, e Detelina Subeva, ex-vice-presidente do mesmo grupo, implicaram Jean Boustani no pagamento de subornos, segundo as declarações à justiça feitas em julho e maio, respetivamente.

Pearse implicou também Iskandar Safa, o milionário libanês que fundou e lidera o grupo Privinvest, dizendo que estava a par do esquema fraudulento.

A acusação norte-americana corrobora a história já denunciada numa auditoria e noutros relatos: entre 2013 e 2014, durante o mandato do presidente moçambicano Armando Guebuza, foram usadas três empresas estatais para acumular empréstimos de investidores internacionais no valor de 2,2 mil milhões de dólares, que terão servido para enriquecimento ilícito dos arguidos e cujas dívidas se acumularam nas contas do Estado.

A Proindicus deveria realizar vigilância costeira, a Ematum participaria na pesca de atum e a MAM visava a construção e manutenção de estaleiros, mas nunca chegaram a funcionar como previsto e agravaram a crise moçambicana.

A justiça norte-americana desencadeou o processo contra Jean Boustani em janeiro, acusando outras sete pessoas, por provas de que o esquema de corrupção incluiu transferências de dinheiro em contas bancárias dos Estados Unidos e envolveu investidores norte-americanos e de outros países.

A investigação atribui aos suspeitos os crimes de conspiração para cometer fraude eletrónica, conspiração para cometer o crime de lavagem de dinheiro, subornos ou corrupção.

Entre os detidos está o ex-ministro das Finanças moçambicano, Manuel Chang, detido desde dezembro na África do Sul, a pedido das autoridades norte-americanas, tendo Maputo e Washington reclamado a sua extradição.

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