O também presidente do parlamento venezuelano Juan Guaidó, desde que no passado dia 23 de Janeiro se auto-proclamou Presidente interino da Venezuela, é alvo de um inquérito pelo Supremo Tribunal venezuelano por “usurpação de poderes“, o que implica a “proibição de saída do país e o congelamento de todos os seus bens”, mesmo se não está ainda formalmente acusado, a justiça ameaça prendê-lo, por ter ignorado a ordem judicial de proibição de se ausentar da Venezuela.

Reconhecido por mais de 50 países Juan Guaidó, deixou Caracas a 22 de Fevereiro rumo a Cúcuta na fronteira com a Colômbia e iniciou um périplo que o levou ao Brasil, Paraguai, Argentina e Equador, onde foi recebido com honras de Chefe de Estado, numa tentativa de desbloquear as toneladas de ajuda humanitária, proveniente sobretudo dos Estados Unidos, que Nicolás Maduro recusa deixar entrar no país, a pretexto de uma alegada invasão norte-americana.

O opositor Juan Guaidó, um engenheiro industrial de 35 anos de idade, desafiou a justiça e chegou ao meio da tarde desta segunda-feira (4/03) ao aeroporto internacional Maiquetia, a cerca de 20 kms de Caracas, onde era aguardado por uma multidão de apoiantes e embaixadores sul-americanos e europeus, entre os quais o da França Romain Nadal, em “testemunho da democracia e da liberdade”.

Através de um vídeo difundido nas redes sociais, Juan Guaidó tinha convocado este domingo (3/02) os seus apoiantes a sairem em massa às ruas de Caracas nesta segunda-feira (4/03) dia feriado de Carnaval e advertiu o regime de Nicolás Maduro de que “se ousar sequestrar-me, tal será um dos últimos erros a cometer“.

O designado Grupo de Lima, a União Europeia e os Estados Unidos já se insurgiram de antemão contra uma eventual detenção de Juan Guaidó.

O Presidente Nicolás Maduro está perante um dilema: se não prender Juan Guaidó dará provas de fraqueza e se o prender provocará fortes reacções nacionais e internacionais, com John Bolton, conselheiro de segurança do Presidente Donald Trump a “não descartar uma intervenção militar em caso de prisão ou ameaças a Juan Guaidó“, propósitos reiterados mal Guaidó chegou a Caracas pelo vice-presidente Mike Pence que afirmou “qualquer ameaça, violência ou intimidação contra Juan Guaidó não será tolerada e terá uma resposta séria e rápida“.

Angola considera legítimo governo de Nicolás Maduro

Portugal é um dos países que reconheceu Juan Guaidó, como Presidente interino e o seu Presidente Marcelo Rebelo de Sousa é aguardado esta terça-feira (5/03) em Luanda para uma visita de Estado até sábado (9/03).

O chefe da diplomacia de Angola Manuel Augusto, anunciou esta segunda-feira (4/03) as linhas mestras da visita do presidente português e no que diz respeito à Venezuela, apelou ao diálogo e negociações internas e com a comunidade internacional, alegando que “obviamente que o governo [angolano] não tem razões para deixar de reconhecer o governo da Venezuela [de Nicolás Maduro] um governo legítimo, eleito e portanto é com ele com quem nós temos relações diplomáticas“.


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