“Quero ser uma estrela”, o novo filme do realizador português José Carlos Oliveira, foi apresentado ontem à tarde no Girassol Baía Hotel, em Maputo.

A produção é assegurada pela Marginalfilmes e pela Companhia de Teatro Gungu. Aliás, “Quero ser uma estrela” é a terceira longa-metragem rodada em Moçambique por aquela produtora portuguesa e também a terceira de José Carlos Oliveira depois de “Preto e branco” e “Um rio”.

A ideia do enredo foi, todavia, de actor moçambicano Gilberto Mendes, que é também um dos protagonistas do filme.

“Tudo surgiu após o filme “Um rio”. Eu tinha feito uns textos sobre tráfico de menores para a África do Sul e propus ao José Carlos transpormos isso para o cinema, passarmos o texto para a tela. O José Carlos, que é um destes realizadores loucos, embarcou na ideia e cá estamos prontos para fazer o filme e sobretudo com muito cuidado porque o tema é sensível e nestas coisas gosto sempre de acautelar, principalmente porque sou uma voz muito crítica na sociedade moçambicana. Por isso falei com o José Carlos fiz-lhe ver que a solução para a história devia vir de Moçambique e não se Portugal. Houve esse cuidado e no final o assunto é resolvido pela polícia moçambicana. O José Carlos fintou muito bem esse problema.”

José Carlos Oliveira, depois de agradecer o apoio do INAC e da embaixada de Portugal, definiu “Quero ser uma estrela” como “um filme duro.” E prossegue: “Há uma coisa que sempre me despertou a atenção que é a relação dos portugueses, portanto ocidentais, que aqui vivem, alguns deles com excelente nível de vida, com os meios políticos e empresariais moçambicanos como é que isto tudo se relaciona. Neste encontro quem é que ganha e quem é que perde. O que me interessa sobretudo aqui é a diferença, a diversidade, entre a maneira de pensar dos moçambicanos e dos portugueses.”

As filmagens, que estão previstas durarem 8 semanas, tiveram uma preparação prévia de mais de um mês. “Houve ainda uma fase antecedente de preparação superior a um mês que foi feita cá há quase dois anos. Em meados de Setembro estará a completa a rodagem”, esclareceu José Carlos.

Para acrescentar: “O filme vai ser quase tudo rodado em Maputo à excepção das cenas que supostamente serão passadas na África do Sul, mas na realidade irão eram decorrer num espaço num muito longe daqui mas ainda não temos confirmação desse local. Maputo irá mostrar-se como uma cidade ampla, moderna, bonita e com bom aspecto.”

Refira-se ainda que toda a acção irá decorrer em 48 horas. O orçamento objectivo para este filme era de um milhão de dólares mas “não conseguimos nem de perto atingir esse valor”, refere Oliveira. “O valor real não vou para já divulgá-lo mas posso assegurar-vos que a câmara que vamos utilizar é a mais sofisticada do mundo sendo a mesma que foi utilizada no oscarizado “Quem quer ser bilionário”.”

Visabeira, ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual), TVI (televisão portuguesa) e algumas marcas locais com as quais decorrem ainda negociações serão os grandes patrocinadores. Os actores com papéis principais serão seis, haverá ainda cerca de 12 secundários e mais de duas dezenas de figurantes. Nos primeiros estão incluídos a portuguesa Dalila do Carmo e o moçambicano Gilberto Mendes.

Cristóvão Araújo@SAPO MZ