“O Estado moçambicano ainda continua forte para combater o terrorismo em Moçambique. Neste momento o apoio que o Estado moçambicano solicitou é a vigilância nas fronteiras para não deixar entrar bandidos no nosso território”, respondeu Jaime Neto, sem avançar detalhes sobre o apoio pedido pelo país.

Vários segmentos da sociedade, incluindo o principal partido da oposição (Renamo), têm criticado um alegado envolvimento de mercenários no combate aos insurgentes que, desde outubro de 2017, têm protagonizado ataques armados em Cabo Delgado, incursões que já provocaram a morte de, pelo menos, 1.059 pessoas em distritos mais a norte da província.

Jaime Neto, que falava em conferência de imprensa em Maputo, referiu que na linha da frente do combate aos grupos armados estão moçambicanos, acrescentando que o Estado “tomará ainda medidas para que este modelo de destruição [adotado pelos insurgentes] não cresça e nem se arraste para mais regiões do país”.

“No combate estão os moçambicanos e com muito orgulho estamos a travar esta luta”, frisou.

Vários investigadores e académicos têm destacado que na resposta às incursões armadas no norte de Moçambique é fundamental a cooperação da Tanzânia, país com o qual duas províncias moçambicanas fazem fronteira (incluindo Cabo Delgado).

Os dois governos já manifestaram a intenção de “concertar esforços” para travar incursões armadas na fronteira, mas sem avançar pormenores sobre o modelo de cooperação que deverá ser adotado.

“É uma zona que efetivamente deve ser defendida e os dois países estão a enfrentar o mesmo fenómeno”, declarou na quarta-feira Verónica Macamo, ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

Em 19 de maio, a ‘troika’ do órgão de Política, Defesa e Segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) esteve reunida em Harare, capital do Zimbabué, e comprometeu-se a apoiar o Governo de Moçambique na luta contra os grupos armados em Cabo Delgado, sem, no entanto, avançar mais detalhes.

A província de Cabo Delgado está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como ameaça terrorista.

Na quarta-feira, os grupos armados invadiram o porto de Mocímboa da Praia e as confrontações deixaram um número desconhecido de mortos.

“O inimigo infiltrou-se em diversos bairros, trajado à civil e beneficiando de várias cumplicidades, atacando a vila de dentro para fora, causando destruição, saques e assassinato de cidadãos indefesos, com manobras de sabotagem e ataques a meios navais de socorro a partir do porto de Mocímboa da Praia”, disse hoje o ministro da Defesa.

Mocímboa da Praia é uma das principais vilas da província, situada 70 quilómetros a sul da área de construção do projeto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais e liderado pela Total.

Nos últimos sete dias, os insurgentes realizaram ataques sequenciados às aldeias de Anga, Buji, Ausse e à vila sede de Mocímboa da Praia e, segundo dados das forças governamentais, pelo menos 59 “terroristas” foram abatidos.

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