"Tudo isto pode pôr em causa o processo iniciado na busca de paz efetiva e reconciliação entre todos os moçambicanos", lê-se num comunicado da Conferência Episcopal de Moçambique, cujos bispos estiveram reunidos, entre 06 e 11, em sessão ordinária na Cidade da Matola, na província de Maputo.

Para os bispos católicos em Moçambique, as irregularidades registadas durante o processo eleitoral deram legitimidade às contestações do partido de oposição, que, quase todos, exigem a anulação do escrutínio de 15 de outubro, alegando fraude a favor da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

"O censo eleitoral realizado com deficiências, a violência durante a campanha eleitoral e no próprio dia da votação, causando mortes, o enchimento de urnas e o processo de contagem com métodos impróprios dão legitimidade aos atores políticos que não aceitam os resultados", lê-se no comunicado, que acrescenta que houve muita expetativa sobre as eleições, que decorreram logo após a assinatura de um acordo de paz entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

"Sendo as primeiras depois de um período de diálogo e de reforma da legislação eleitoral que introduziu mudanças significativas, tais eleições suscitaram uma grande expetativa no povo. Porém, chegados a esta fase, em que se espera a validação dos resultados pelo Conselho Constitucional, verificamos que há um grande descontentamento por parte dos cidadãos", refere-se no documento.

Os resultados eleitorais anunciados pela Comissão Nacional de Eleições deram larga vantagem à Frelimo, com Filipe Nyusi reeleito à primeira volta para um segundo mandato como Presidente, com 73% dos votos.

Para o parlamento, a Frelimo conseguiu eleger 184 dos 250 deputados, ou seja, 73,6%, mais de dois terços dos lugares necessários para aprovar alterações constitucionais.

Além dos partidos da oposição, alguns dos quais já tiveram os seus recursos chumbados pelo Conselho Constitucional, várias missões de observação levantaram também dúvidas e preocupações acerca da votação.

A Comissão Nacional de Eleições de Moçambique manifestou "preocupação" com "algumas irregularidades", justificando que por isso evitou descrever as eleições gerais como livres, justas e transparentes, no anúncio dos resultados.

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