“[O acidente] ocorreu num armazém sem material nuclear e sem potencial de poluição”, declarou na televisão estatal o porta-voz da agência, Behrouz Kamalvandi, ao referir-se ao local do acidente.

“Equipas de peritos estão atualmente no local e investigam as causas do acidente”, acrescentou, sem precisar a natureza do sinistro, segundo a agência noticiosa Tasnim, que cita Ramézan-Ali Ferdowsi, o governador de Natanz.

“Não se encontravam trabalhadores no local e não foram registadas vítimas”, declarou ainda Kamalvandi, numa entrevista telefónica com a televisão.

“No entanto, tivemos prejuízos financeiros e materiais”, afirmou Kamalvandi.

Assegurou ainda que “não houve interrupção da atividade do centro de enriquecimento” de urânio em Nataz, que “funciona ao seu ritmo habitual”.

Inicialmente, a AEAI tinha indicado em comunicado que o acidente atingiu “um dos hangares em construção no complexo de Natanz”, onde se situa uma das principais fábricas de enriquecimento de urânio do país.

Desde maio de 2019, e em resposta à decisão adotada um ano antes pelos Estados Unidos que se retiraram unilateralmente do acordo internacional sobre o nuclear iraniano concluído em Viena em 2015, que o Irão começou a renunciar progressivamente às obrigações prevista no documento.

Em setembro de 2019 o país relançou as atividades de produção de urânio enriquecido que aceitou suspender em Natanz devido ao acordo de Viena.

O último relatório de vigilância do programa nuclear do Irão elaborado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) indica que Teerão acionou em Natanz 5.060 centrifugadoras ditas de primeira geração, repartidas em “30 cascadas” que produzem urânio enriquecido, e conduz atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas com o enriquecimento deste mineral.

O relatório acrescenta que a República Islâmica produz urânio enriquecido até 4,5%. Esta taxa é superior aos 3,67% autorizados pelo acordo de Viena, mas permanece longe do patamar necessário (mais de 90%) para o fabrico de uma bomba atómica.

A República Islâmica sempre desmentiu pretender dotar-se de uma arma nuclear, em resposta às acusações dos Estados Unidos e Israel.

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