Um investigador da California State University, nos Estados Unidos, realçou quinta-feira, em Coimbra, Portugal, que a Igreja Católica defendeu os direitos dos povos de Moçambique.

Através de alguns dos bispos que nomeou para o território, na costa oriental de África, o Vaticano assumiu “um jogo crítico” da permanência das tropas portuguesa em Moçambique, acabando por apoiar a luta de libertação protagonizada pela Frelimo, disse Mustafah Dhada.

O professor universitário, que investiga há várias décadas as lutas de guerrilha e os processos de emancipação política das antigas colónias de Portugal no continente africano, falava à agência Lusa após ter participado no colóquio internacional “Quarenta anos de independência de Moçambique: que futuro para o passado?”.

“Esse jogo da Igreja Católica não tem sido investigado”, disse, esclarecendo, que a intervenção dos bispos, missionários e padres junto das populações autóctones, a favor da independência, “não foi igual em todo o território”, tendo variado em função dos protagonistas e das regiões ou cidades.

Naquele colóquio, promovido pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Mustafah Dhada dissertou sobre o tema “O papel da diplomacia na luta pela libertação luso-africana 1953-1974”.

O investigador, nascido em Moçambique mas radicado há longos anos nos Estados Unidos, possuindo nacionalidade portuguesa, norte-americana e britânica, enalteceu o papel de altos dignitários católicos na defesa dos direitos das populações de Moçambique, como Sebastião Soares de Resende, bispo da Beira, e Manuel Vieira Pinto, bispo de Nampula.

Em Março de 1974, poucas semanas antes da revolução do 25 de Abril, Manuel Vieira Pinto aprovou um documento subscrito pelos sacerdotes da sua diocese, intitulado “Imperativo de consciência”, que preconizava uma “resposta corajosa aos problemas graves do povo moçambicano”, o que desagradou ao governo de Marcelo Caetano.

Mustafah Dhada vai publicar, nos Estados Unidos e Reino Unido, um trabalho de investigação sobre o massacre de Wiriyamu, em Moçambique, cometido no âmbito da Operação Marosca por tropas especiais portuguesas sobre civis suspeitos de apoiarem a Frelimo, em 1972, tendo morrido mais de mil pessoas, supostamente por envenenamento.

Lusa