“Temos sinais de envolvimento, nesta ameaça terrorista, de estrangeiros que estão a recrutar e a treinar os jovens locais, e que também devem estar a equipá-los, porque nós não sabemos como é que eles conseguem equipamento”, afirmou Filipe Nyusi, falando em encontro virtual com o Presidente do Banco Mundial, David Malpass.

O estadista moçambicano realçou que os terroristas atuam em distritos do norte de Cabo Delgado, sobretudo nas proximidades da região onde está a ser desenvolvido um projeto bilionário de exploração de gás natural, “que é também rica em outros recursos, incluindo rubis”.

“As forças de defesa e segurança estão no terreno tentando conter a expansão das ações terroristas a toda a província de Cabo Delgado e ao resto do país”, avançou Filipe Nyusi.

Insurgência sem motivação 

Nyusi elogiou o apoio das companhias envolvidas no desenvolvimento do projeto de gás natural liquefeito, nomeadamente a ExxonMobil e a Total às forças de defesa e segurança no terreno, que têm estado a conter os ataques terroristas, fazendo com que o projeto não esteja ameaçado.

Nyusi disse que a insurgência em Cabo Delgado não tem motivação, apesar de os terroristas matarem pessoas, queimarem aldeias, estimando-se em mais de 60 mil o número de deslocados por causa da insegurança.

Entretanto, o sociólogo Moisés Mabunda, considera que o eixo externo no conflito em Cabo Delgado sempre vai ter que ser considerado, porque aparece associado à questões internas, que têm a ver com a insatisfação das populações.

Envolvimento de jovens na insurgência 

Mabunda referiu que “este é um problema muito sério que precisa de ser resolvido, tal como recomendam vários estudos sobre a situação em Cabo Delgado”.

Para o diretor do Centro de Integridade Pública-CIP, Edson Cortêz, é preciso perceber porque é que os jovens são facilmente recrutados para as fileiras dos insurgentes.

Na sua opinião, isso deve-se “a profundas desigualidades sociais e à falta de esperança, na juventude, em ter trabalho e um futuro melhor”.

Entretanto, o analista Tomás Rondinho considera fundamental resolver a questão da segurança em Cabo Delgado, porque, na sua opinião, neste momento a situação não é boa para investimento.

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