"É desejo de todos nós que esta situação seja controlada o mais cedo possível", disse Carlos Zacarias, presidente do conselho de administração do INP, falando durante uma conferência de imprensa em Maputo.

A província de Cabo Delgado, norte do país, palco de uma intensa atividade de multinacionais petrolíferas que se preparam para extrair gás natural, tem sido alvo de ataques de homens armados desconhecidos desde outubro de 2017 e que já provocaram mais de 200 mortos.

Para Carlos Zacarias, a resolução do problema dos ataques em Cabo Delgado é fundamental para a implementação dos projetos de exploração de gás natural, bem como para o bem-estar das pessoas.

"Nós somos a entidade reguladora de um país onde existe um Governo e um povo. Naturalmente, este aspeto preocupa a todos", frisou.

Um dos principais projetos de exploração de gás natural está ser desenvolvido por um consórcio liderado pela multinacional Anadarko, que vai fazer um investimento total de cerca de 25 mil milhões de dólares (cerca de 22 mil milhões de euros), dedicando-se à extração, liquefação e exportação marítima de gás natural na área 1 da bacia do Rovuma, norte de Moçambique, devendo entrar em funcionamento em 2024.

O anúncio de outro investimento do mesmo montante está previsto para o segundo semestre para a Área 4 da Bacia do Rovuma, num consórcio liderado pela Eni e Exxon Mobil.

Em fevereiro deste ano, foram registados dois ataques relacionados de grupos desconhecidos à petrolífera norte-americana Anadarko em Cabo Delgado, dos quais resultaram seis feridos e uma vítima mortal, um funcionário da empresa portuguesa Gabriel Couto, responsável pela construção do aeroporto da petrolífera norte-americana em Palma.

Na quarta-feira, as Nações Unidas alertaram para o aumento das ações de "grupos terroristas" e de tráfico de drogas em Moçambique, com destaque para o norte, considerando que o país está vulnerável após a passagem de dois ciclones em março e abril deste ano (Idai e Kenneth).

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