"O papa vai chegar a Moçambique daqui a alguns meses", numa altura em que "presumivelmente as luzes da imprensa internacional já se terão apagado sobre esta situação", começou por referir o prelado argentino, que está no país lusófono há 34 anos, em entrevista à Lusa.

"Poderá ser uma forma de chamar outra vez a atenção do mundo para a situação que Moçambique vive. Estaremos em plena reconstrução", sublinhou.

Ainda não se sabe se o papa vai passar pela região afetada pelo ciclone Idai, com cerca de 600 mortos contabilizados e 1,4 milhões de pessoas afetadas, mas o tema vai estar na agenda.

Desde a passagem do ciclone, a 14 de março, o centro de Moçambique sofreu uma pesada destruição de infraestruturas, escolas e unidades de saúde perderam coberturas e ainda lutam para levantar paredes.

Cerca de 90 mil casas, na maioria precárias, terão sido arrasadas.

A vice-secretária-geral da ONU disse na terça-feira que a comunidade internacional garantiu cerca de 11% dos 392 milhões de dólares (350 milhões de euros) de ajuda necessária aos países afetados pelo ciclone Idai e apelou a um reforço do apoio.

Mais difícil de fazer é o balanço sobre a disrupção social provocada pela morte e afastamento de membros de cada agregado familiar, separados durante as cheias e operações de socorro, bem como daqueles que tinham a seu cargo as profissões tradicionais de diferentes comunidades.

Ainda assim, em cada oportunidade, como nas homilias de domingo, a mensagem da Igreja é de esperança, destaca Claudio Dalla Zuanna.

"Podemos sair deste acontecimento tão triste, tão devastador, com renovadas energias. Pode ser um momento de renascimento", referiu o arcebispo católico da Beira.

A região, a mais afetada pelo ciclone, sofreu uma pesada destruição de infraestruturas e a própria Igreja não escapou.

A sé catedral da Beira continua de pé, mas perdeu o telhado, uma imagem que ilustra o grau de destruição que enfrentam quase todas as estruturas que lhe estão ligadas na região.

Três igrejas foram derrubadas, os danos nas escolas prejudicam cerca de 12 mil alunos, a maioria sujeita agora a aulas ao relento, e há estragos em inúmeros outros locais, em 29 paróquias.

Questionado sobre o facto de a visita do papa decorrer já durante a campanha para as eleições gerais de Moçambique de 15 de outubro, Claudio Dalla Zuana realça o contexto da viagem.

"Quem programou penso que avaliou estas dimensões e aspetos. O papa não vem só a Moçambique, vem num périplo por outros países", destaca, uma vez que visitará também Madagáscar e as ilhas Maurícias.

Francisco poderá manter "encontros com todas forças políticas e corpo diplomático e dar uma mensagem clara a todos, de maneira a que a sua visita não seja interpretada de forma incorreta", sublinhou.

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