O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, “saúda” o relatório, disse à agência France Presse Bassem Naim, um alto responsável do movimento islâmico.

“Apelamos à comunidade internacional para responsabilizar o ocupante israelita pelos crimes de guerra que continua a cometer contra os palestinianos”, adiantou.

Num relatório divulgado hoje, uma comissão de inquérito mandatada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU considera que a resposta israelita a manifestações no enclave palestiniano em 2018 “pode constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade”, sublinhando que atiradores militares visaram civis, incluindo crianças.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Israel Katz, classificou o relatório de “hostil, mentiroso e parcial”.

Para o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, o Conselho de Direitos Humanos da ONU “está a estabelecer novos recordes para a hipocrisia e falsidade, devido a um ódio obsessivo a Israel”.

Num comunicado, Netanyahu sublinhou o direito de Israel de se defender e responsabilizou o Hamas pela violência na Faixa de Gaza.

Segundo a comissão da ONU, “mais de seis mil manifestantes desarmados foram baleados por atiradores militares de elite semana após semana nas manifestações”.

A Faixa de Gaza é palco desde 30 de março de 2018 de manifestações de milhares junto à barreira de segurança que separa o enclave do território israelita no âmbito dos protestos da “marcha do retorno”, que reivindica o direito de os refugiados palestinianos regressarem às terras de onde fugiram ou foram expulsos aquando da criação de Israel em 1948.

Pelo menos 251 palestinianos foram mortos por tiros israelitas desde aquela data, a maioria ao longo da fronteira e outros devido a ataques aéreos israelitas em represália por atos hostis com origem no enclave. Dois soldados israelitas foram mortos durante o mesmo período de tempo.

Bassem Naim considerou que “o relatório não deixa dúvidas sobre o facto do ocupante israelita ter cometido crimes de guerra contra os palestinianos que se manifestavam pacificamente”.

Israel acusa o Hamas de crimes de guerra por disparar ‘rockets’ contra a população israelita e por utilizar civis palestinianos como “escudos humanos”.

A Autoridade Palestiniana, rival do Hamas e com sede na Cisjordânia, também saudou o relatório da ONU e apelou ao Tribunal Penal Internacional para abrir “imediatamente um inquérito”.

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