“Em primeiro lugar, [testemunhei] um terrível nível de destruição e de sofrimento, a destruição física, correspondente ao sofrimento humano de que as pessoas da Beira e de Moçambique foram vítimas”, afirmou António Guterres, em declarações aos jornalistas, após um encontro com o autarca local, Daviz Simango.

A Beira, capital da província de Sofala, centro de Moçambique, foi devastada pela passagem do ciclone Idai em março e recebeu hoje a visita do secretário-geral da Nações Unidas, que foi ver pessoalmente os estragos causados pela calamidade.

Respondendo a uma pergunta dos jornalistas sobre a impressão com que ficou depois de ter visitado a Beira, António Guterres descreveu o cenário como de “terrível destruição e de sofrimento”.

“Mas a coragem, o espírito de resistência que encontrei, a forma como as pessoas estão a reconstruir, a forma como as pessoas foram para outa localização e começaram a plantar [nos campos agrícolas], mostra que há aqui um exemplo extraordinário para todos nós”, enfatizou.

A magnitude da devastação, prosseguiu, dá a Moçambique a autoridade moral para exigir ao mundo responsabilidades pelo impacto das mudanças climáticas, até porque o país não é um poluidor.

“Moçambique tem autoridade moral, sempre houve ciclones, o que nunca houve são ciclones tão frequentes, tão devastadores e isso tem a ver com alterações climáticas e Moçambique não contribui muito para as alterações climáticas”, destacou.

António Guterres citou um estudo que refere que Moçambique será o segundo país que mais sofrerá as consequências das mudanças climáticas, o que o coloca “na linha da frente” dos alvos das calamidades naturais.

“Moçambique está na primeira linha do sofrimento das consequências das alterações climáticas, há mesmo uma análise que diz que Moçambique é o segundo país do mundo que mais sofrerá com o impacto do aquecimento global”, frisou Guterres.

O secretário-geral da ONU deslocou-se hoje à Beira, no âmbito da visita de três dias que realiza a Moçambique, para ver de perto os estragos provocados pelo Idai e Kenneth.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março, provocando 604 vítimas mortais e afetando cerca de 1,8 milhões de pessoas.

Pouco tempo depois, Moçambique voltou a ser atingido por um ciclone, o Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matando 45 pessoas e afetando outras 250.000.

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