Luciano Pereira, sociólogo e escritor, disse que a manifestação, a decorrer no dia 23 de julho, “é um grito de socorro” de cidadãos guineenses a viverem fora do país, mas preocupados com o que se passa na Guiné-Bissau, observou.

“Hoje estamos num mundo aberto. Podes dar uma bofetada a alguém na Guiné-Bissau e nós, aqui na diáspora, vamos saber logo. Isso quer dizer que estamos a seguir de perto a situação política no país”, declarou Luciano Pereira.

O organizador da manifestação do próximo dia 23 justifica a iniciativa como uma “necessidade urgente” para que os europeus, amantes da democracia e da liberdade, possam saber o que se passa na Guiné-Bissau, disse.

“Em pleno século 21 há deputados, grandes empresários ou antigos governantes a serem sequestrados. Por isso, queremos pedir socorro à União Europeia como principal parceiro da Guiné-Bissau, conhecedores dos valores da paz no mundo”, sublinhou Luciano Pereira.

O ativista, que vive e trabalha na Bélgica, disse que durante a manifestação vão ser apresentadas situações concretas de violações dos direitos dos cidadãos guineenses e manifestou a esperança de que este protesto “vai fazer mudar algo” na Guiné-Bissau.

“Os europeus elegem a manifestação como algo de importante para fazer valer os direitos de um povo”, frisou Luciano Pereira.

O ativista considera que a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), em vez de ajudar a resolver a crise política guineense está a piorá-la.

Luciano Pereira entende que o problema da Guiné-Bissau é uma preocupação mundial, por ser também um país que faz parte do concerto das nações e que a partir da manifestação na sede da União Europeia “os outros vão acordar”.

Entre outras queixas que os guineenses na diáspora irão levar à sede da UE no próximo dia 23, Luciano Pereira apontou situações em que, disse, alguns dirigentes do país estão a tentar transformar a democracia em ditadura.

“O nosso objetivo é termos paz, democracia e liberdade no nosso país”, frisou Pereira, elogiando a atenção das autoridades belgas, que mesmo em confinamento ainda em vigor, permitiram a realização da manifestação no dia 23.

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, anunciou na terça-feira que o Estado vai passar a monitorizar as comunicações entre os cidadãos, alegando que a medida visa garantir a segurança.

Organizações da sociedade civil guineense têm denunciado detenções e espancamento de pelo menos uma centena de pessoas, incluindo políticos e empresários, vítimas de violência policial.

A Guiné-Bissau está a viver um período de especial tensão política desde o início do ano, depois de a Comissão Nacional de Eleições ter declarado Umaro Sissoco Embaló vencedor da segunda volta das eleições presidenciais.

Domingos Simões Pereira, dado como derrotado pela Comissão Nacional de Eleições, não reconheceu os resultados eleitorais, alegando que houve fraude e meteu um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, que não tomou, até hoje, qualquer decisão.

Umaro Sissoco Embaló autoproclamou-se Presidente da Guiné-Bissau em fevereiro e acabou por ser reconhecido como vencedor das eleições pela CEDEAO e restantes parceiros internacionais.

Após ter tomado posse simbolicamente, o chefe de Estado demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes, saído das eleições legislativas de 2019 ganhas pelo PAIGC, e nomeou um outro liderado por Nuno Nabian, líder da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que assumiu o poder com o apoio das forças armadas do país, que ocuparam as instituições de Estado.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que está a mediar a crise na Guiné-Bissau, deu ao Presidente um prazo até 22 de maio para nomear um novo Governo respeitando os resultados das legislativas, o que não aconteceu.

Nuno Nabian conseguiu aprovar o seu programa de Governo no parlamento guineense com os votos a favor de cinco deputados do PAIGC, que contrariaram a decisão do partido e participaram na sessão plenária.

Os restantes deputados do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) anunciaram que o partido vai entrar com uma impugnação judicial à aprovação do programa de Governo, alegando “violações grotescas” ao regimento da Assembleia Nacional Popular.

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