Ossufo Momade não revela o número de armas e munições que ainda estão nas matas do Centro de Moçambique e que vão ser entregues no âmbito do acordo de paz assinado em agosto de 2019 com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Mas deixa um retrato do que esperar, depois de o braço armado da Renamo ter silenciado as armas há três anos e três meses.

“Não podemos pensar que o guerrilheiro vai trazer armas modernas que nunca existiram em Moçambique. O guerrilheiro teve armas através daqueles ataques que eram realizados aos quartéis” das forças do Estado “e daí assaltava o armamento”, descreve.

“São essas que vamos poder entregar, não armas de um paiol militar”, acrescenta.

“As pessoas poderão pensar que vão trazer milhares ou centenas de armamento. Não. Uma arma pode ser usada por três ou quatro guerrilheiros”, diz, acrescentando: “em qualquer parte do mundo, não é um homem uma arma”.

A entrega das armas e a passagem à nova fase do resto da vida (recebendo um pacote de apoio à desmobilização ou integrando as forças de defesa e segurança, mormente, a polícia) vai ser feita a pouco e pouco, através de iniciativas a agendar para cada base de guerrilheiros.

Em entrevista à Lusa, Momade diz que a iniciativa pode arrancar dentro de dias.

Neste momento, “os guerrilheiros estão nas suas bases e terão de sair para os acantonamentos, onde vão ser registados”, uma ação que inclui registo civil e atribuição de contas bancárias.

“Já estão localizados os possíveis sítios de acantonamento. É de lá que vão ser conduzidos os que vão ser desmobilizados e os que vão ser enquadrados. Esta é a primeira fase. Não vai ser tudo no mesmo dia”, descreve Momade.

O primeiro grupo de guerrilheiros a entregar armas deverá ser o que se encontra na base da Renamo em Savana, distrito de Dondo, no Centro do país – trata-se de uma localidade costeira da província de Sofala, poucos quilómetros a Norte da cidade da Beira.

“No distrito de Dondo, o processo já está muito avançado. Os guerrilheiros já têm números de conta [bancária] e já têm NUIT”, Número Único de Identificação Tributária, para que possam receber os respetivos benefícios, sublinha.

Momade afasta-se do grupo de guerrilheiros que tem violado os acordos de paz e cessação de hostilidades e que é suspeito de ataques armados que já fizeram 20 mortos desde agosto junto a estradas e aldeias do Centro do país.

O líder da Renamo classifica o grupo, liderado por Mariano Nhongo, como desertor.

Ossufo Momade acredita que com os apoios financeiros prometidos pela comunidade internacional o processo de DDR poderá ser bem-sucedido, mas não se compromete com datas para a sua conclusão.

“É prematuro. Ainda estamos a trabalhar no documento oficial [sobre os apoios aos desmobilizados] e é a partir desse documento que vamos ter datas, de início e fim”, conclui.

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