"Há muito boato, há muita poeira nisto tudo", disse Armando Guebuza na primeira tomada de posição pública sobre o caso, acrescentando: Há "alguma poeira que surge espontaneamente e outra que é mesmo provocada com objectivos escusos".

O seu filho mais velho, Ndambi Guebuza, e a sua secretária particular, Inês Moiane, estão entre os dez detidos no âmbito da investigação às dívidas ocultas em Moçambique, de um total de 20 arguidos constituídos pelo Ministério Público.

A Procuradoria-Geral da República moçambicana acusa Ndambi Guebuza de ter recebido 33 milhões de dólares para facilitar contactos entre os mentores da operação que levou aos empréstimos e o seu pai, que não é arguido no processo.

Falando à margem da cerimónia de homenagem ao músico moçambicano Gabriel Chiau, o antigo Presidente da República salientou que o caso tem sido caracterizado por boatos, mas defendeu a não interferência externa nos órgãos judiciais.

"Eu acredito que a justiça deve ser feita, vamos deixar que a justiça seja feita sem interferências, porque temos a consciência da importância de uma solução correta deste assunto", frisou o antigo Presidente moçambicano.

O processo sobre as dívidas ocultas está relacionado com os avales prestados secretamente pelo anterior Governo moçambicano de mais de dois mil milhões de dólares, entre 2013 e 2014, a favor de empresas públicas de pesca e segurança marítima.

A justiça moçambicana e a justiça norte-americana consideram que parte desse dinheiro foi usado para o pagamento de subornos a cidadãos moçambicanos e estrangeiros.

Vários analistas e observadores internacionais apontam a cúpula do governo anterior, liderada por Guebuza, como estando diretamente envolvida no caso.

O antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, está detido na África do Sul por causa deste processo.

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