A informação foi avançada por um jornalista da agência France-Presse (AFP) que está a bordo do navio humanitário, que começou a patrulhar esta zona do Mediterrâneo nos últimos dias.

A ONG resgatou “51 pessoas, incluindo uma mulher e cinco menores”, de acordo com a mesma fonte.

A grande maioria eram pessoas oriundas do Paquistão e foram transportadas para dentro do navio humanitário, após uma operação que teve lugar a cerca de 30 quilómetros de Lampedusa, “no cruzamento das zonas de busca e salvamento de Malta e Itália”, precisou a SOS Méditerranée.

A ONG francesa informou igualmente ter já pedido às autoridades maltesas e italianas um porto seguro para efetuar o desembarque destas pessoas.

Localizada entre Malta e a Tunísia, a ilha italiana de Lampedusa está situada a cerca de 130 quilómetros das costas tunisinas e a cerca de 290 quilómetros das costas líbias.

A ilha está localizada na chamada rota migratória do Mediterrâneo Central, que sai da Argélia, Tunísia e Líbia em direção à Itália e a Malta.

Apesar da ameaça da pandemia da doença COVID-19, o fluxo migratório nas várias rotas do Mediterrâneo acabou por nunca parar e com a chegada do verão, e consequentemente melhores condições de navegabilidade, é expectável que as tentativas de travessia para tentar alcançar a Europa aumentem nas próximas semanas.

Já tinha sido relatado hoje de manhã que mais de 70 migrantes tinham desembarcado na quarta-feira em Lampedusa.

Num período de poucas horas, três embarcações com 11, 10 e 36 migrantes tunisinos a bordo, respetivamente, chegaram à costa da ilha de Lampedusa, segundo relatou a agência de notícias italiana Agi, citando fontes policiais locais.

Uma quarta embarcação com outros 14 migrantes a bordo chegou durante a noite de quarta-feira.

A própria SOS Méditerranée informou hoje que tinha avistado, também na quarta-feira, uma “embarcação de madeira com 30 a 40 pessoas a bordo, que estava na rota em direção a Lampedusa” e que, após contactos com as autoridades italianas e maltesas, as pessoas foram transportadas para um navio da guarda costeira italiana.

Também a Organização Internacional para as Migrações (OIM) relatou hoje que a guarda costeira da Líbia intercetou na quarta-feira 71 migrantes, incluindo quatro mulheres e duas crianças, que tentavam chegar à Europa.

Devido em parte pelos constrangimentos provocados pela pandemia do novo coronavírus, os navios das várias ONG envolvidas nos resgates humanitários no Mediterrâneo ficaram parados e muitos portos europeus, como foi o caso em Itália e em Malta, foram encerrados.

Mas essa situação não impediu que várias embarcações com migrantes a bordo continuassem a chegar, por exemplo, às costas italianas de forma autónoma.

Após uma paragem de cerca de dois meses, o primeiro resgate humanitário na rota migratória do Mediterrâneo Central aconteceu no passado dia 17 de junho e foi feito pelo navio da ONG alemã Sea Watch.

Nesse dia, um grupo de 100 pessoas, entre os quais constavam mulheres e menores, foi resgatado a 27 milhas náuticas das costas líbias.

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