"Tememos infeções pelo novo coronavírus e suspendemos o pagamento de subsídios, enquanto estudamos o melhor mecanismo de fazermos chegar o apoio, com segurança, a quem esta inscrito", afirmou Abdul Razak, delegado do Instituto Nacional de Ação Social (INAS) na província de Sofala, cuja capital é a cidade da Beira.

O delegado do INAS avançou que o pagamento de subsídios às vítimas do ciclone Idai arrancou na terça-feira, mas teve de ser interrompido, devido ao ajuntamento de pessoas nos postos de pagamento sem o necessário distanciamento social face ao risco de contaminação pelo novo coronavírus.

Razak adiantou que o processo será retomado logo que as condições de segurança sanitária estiverem reunidas.

No distrito da Beira, estão inscritos 32 mil beneficiários daquele subsídio.

As enchentes nas filas para a receção da ajuda financeira também terão sido provocadas pela presença de pessoas não inscritas nas listas dos beneficiários, acrescentou o delegado do INAS.

"Já tínhamos chamado a atenção para só acorrerem aos postos de pagamento os beneficiários inscritos", declarou Abdul Razak.

A suspensão do pagamento do subsídio enfureceu centenas de beneficiários, que se amotinaram frente ao gabinete do governador da província de Sofala, Lourenço Bulha.

O governador assegurou aos representantes do grupo que todos os beneficiários vão receber o dinheiro, assim que as condições de segurança sanitária forem criadas.

No total, devem receber o subsídio na província de Sofala cerca de 74 mil famílias de 10 dos 13 distritos da província.

O Governo aprovou o pagamento de um subsídio mensal de 2.500 meticais (29,3 euros) a cada uma das vítimas.

Moçambique registou, nas últimas 24 horas, mais 46 casos positivos de covid-19, elevando o total para 3.697 e mantendo-se com 21 óbitos, informou hoje em comunicado o Ministério da Saúde.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 832 mil mortos e infetou mais de 24,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março de 2019, provocou 604 mortos e 1,8 milhões de pessoas afetadas.

Pouco tempo depois, em abril, o norte foi afetado pelo ciclone Kenneth, que matou 45 pessoas e afetou outras 250 mil.

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