O Governo moçambicano anunciou hoje a criação de um Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Situação Financeira Internacional (GASI), com o objectivo de seguir sistematicamente a situação financeira interna e internacional.

O Grupo será presidido pelo ministro moçambicano das Finanças, Manuel Chang, e integrará os titulares das pastas de Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, da Indústria e Comércio, António Fernando, do Trabalho, Helena Taipo, da Agricultura, Soares Nhaca, e o governador do Banco Central de Moçambique, Ernesto Gove.

O porta-voz do Governo moçambicano, Luís Covane, indicou aos jornalistas que o Grupo de Trabalho "tem como funções proceder ao acompanhamento de desenvolvimento da crise financeira internacional e as suas repercussões na economia e sistema financeiro nacional".

A iniciativa visa igualmente "contribuir para uma maior eficácia e fortalecimento da supervisão das instituições financeiras nacionais e propor ao Governo medidas de mitigação do impacto dos efeitos da crise financeira internacional", destacou.

"O GASI vai formular recomendações ao Governo moçambicano sobre as políticas e reformas económicas, com vista a continuar a atrair o investimento directo estrangeiro", afirmou o porta-voz do executivo de Maputo.

O Grupo de Trabalho deverá fazer o levantamento da real situação económica das empresas públicas e privadas, devendo também confirmar as previsões de crescimento do país adiantadas por diversas instituições financeiras internacionais.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa as projecções de crescimento económico de Moçambique, que deverá se situar em 5,5 por cento este ano e 5,4 por cento em 2010, em consequência do "impacto da crise económica" mundial.

Segundo o FMI, a crise financeira mundial "vai resultar numa redução dos investimentos" e "alargar a incerteza quanto à provisão da ajuda oficial ao desenvolvimento".

Esta retracção do investimento vai verificar-se sobretudo em relação aos países que foram forçados a canalizar grandes volumes de recursos para o resgate dos respectivos planos financeiros.

Hoje, o Governo moçambicano revelou que pelo menos dois dos 19 doadores do país, que anualmente financiam cerca de 50 por cento do Orçamento, estão a reavaliar a sua participação "em face da crise financeira".

"Temos alguma informação de dois países que disseram que estão a fazer a avaliação da cooperação de forma geral, em face da crise financeira, e, em função disso, vão confirmar o desembolso ou não que prometeram no ano passado", afirmou à imprensa o ministro da Planificação e Desenvolvimento Rural moçambicano, Aiuba Cuereneia, sem adiantar quais são os parceiros em causa.

Também os economistas do Banco Português de Investimentos (BPI) previram, no mês passado, que o país poderá enfrentar a falta de financiamento para os chamados "mega-projectos", devido à crise de crédito global.

No seu último relatório sobre a actividade económica em Moçambique, o BPI indica que, face à actual crise de crédito global, a falta de financiamento para os chamados "mega-projectos", é hoje o "maior risco para o crescimento da economia moçambicana".

Entre os projectos em causa, salientam os economistas do BPI no mesmo relatório, estão a barragem M´panda Nkua, que deveria arrancar no início de 2009, e a extensão da rede eléctrica em 1.400 quilómetros, além da expansão da capacidade produtiva da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que implica um investimento de mil milhões de dólares (795 milhões de euros).

Em dúvida está também a construção de outra siderurgia em Maputo, um projecto avaliado em dois mil milhões de dólares(1, 59 mil milhões de euros), bem como "vários projectos de extracção mineira liderados por empresas de menor dimensão, devido à sua situação mais vulnerável".

A fundição de alumínio Mozal, a maior empresa do país, anunciou, no mês passado, o despedimento este ano de 90 dos seus 1.150 trabalhadores devido à diminuição da produção e à necessidade de rever custos operacionais, em resultado da crise económica mundial e à diminuição em 10 por cento da energia fornecida pela África do Sul ao empreendimento.

"O Governo tem que fazer um acompanhamento daquilo que está a acontecer no mundo e aqui dentro do país. Esta é uma decisão que vai ajudar os nossos posicionamentos no tratamento desta matéria bastante delicada" (crise financeira mundial), disse Luís Covane.

Com Lusa

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