"Vamos dialogar com todas as entidades políticas, com o objetivo de preparar o clima para as negociações e para a concretização das nossas aspirações", declarou o general Omar Zinelabidin, membro do conselho militar de transição.

Durante uma conferência de imprensa em Cartum, o general também garantiu que o futuro governo será "um governo civil", tendo advertido que os militares não permitirão "nenhum ataque contra a segurança" do país.

Os militares confirmaram ainda que Omar al-Bashir está "detido" e que este não será extraditado. "Enquanto conselho militar, não entregaremos o presidente ao estrangeiro durante o nosso período no poder", afirmou ainda Zinelabidin.

Há já muito tempo que o presidente agora deposto, Omar al-Bashir, desafiava o Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia. Em 2009, o TPI lançou um mandado de prisão por "crimes de guerra e contra a humanidade" no Darfur, região do oeste do Sudão afetada pela violência extrema. Em 2010, somou-se à acusação o crime de "genocídio".

O conflito em Darfur deixou mais de 300 mil mortos e 2,5 milhões de deslocados, segundo a ONU.

Um dos países mais pobres do planeta, o Sudão vai estar submetido a um recolher obrigatório durante a noite, pelo período de um mês, anunciou o ministro da Defesa na quinta-feira.

Apesar de tudo, a derrocada de Al-Bashir da cadeira do poder não satisfez os milhares de manifestantes, que, apesar das ordens de recolher obrigatório noturno, continuam nas ruas para alcançar o fim total do regime.

Milhares de pessoas têm vindo a manifestar, assim, a sua rejeição do novo poder militar de transição, com a população a passar uma sexta noite consecutiva diante do quartel-general do exército em Cartum. Ainda não há informações sobre a ocorrência de incidentes.

"Não há nenhuma diferença para nós (...). Esta é a nossa praça. Tomámo-la e não vamos abandoná-la até que consigamos a vitória. Violamos o toque de recolher. Vamos continuar a fazer isto até obter um governo de transição", declarou à AFP Abu Obeida, um dos manifestantes.

Ontem, líderes do movimento de contestação rejeitaram o golpe de Estado militar e prometeram continuar as ações de protesto.

"O regime realizou um golpe de Estado militar apresentando os mesmos rostos (...) contra os quais nosso povo se levantou", denunciou através de um comunicado de imprensa o grupo Aliança pela Liberdade e a Mudança. "Pedimos ao povo que continue a mobilização em frente ao quartel-general do exército [em Cartum] e em todo país", acrescenta o texto.

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