“Não se pode fazer nada para estancar os ventos ciclónicos, o que se pode fazer é minimizar o seu impacto sobre as pessoas, de modo a que o número de vítimas seja menor”, afirmou o médico e antigo ministro da Saúde moçambicano à margem do 5.º Congresso Nacional de Medicina Tropical, que decorre em Lisboa.

Leonardo Simão lembrou que antes de Moçambique ter sido atingido pelo ciclone Idai, há cerca de um mês, estes fenómenos já eram recorrentes, com os eventos extremos a repetirem-se em ciclos de aproximadamente dez anos e “sempre piores do que o anterior”.

“Por isso, o Governo está a rever todo o processo de construção de infraestruturas, estradas e unidades de saúde para torná-las mais resistentes a estes impactos”, salientou.

O ex-governante destacou igualmente que Moçambique é muito afetado por doenças tropicais, às quais se vêm juntando as doenças transmissíveis, pelo que a “capacitação e formação de moçambicanos para que possam participar mais na busca de soluções para as doenças é fundamental”, face a um “grande desafio que ainda vai durar muitos anos”.

O responsável da Fundação Manhiça adiantou que o ciclone Idai já começou a aumentar a incidência de doenças tropicais, sobretudo a cólera, mas também a malária e outras doenças associadas à água e às mudanças ecológicas que acontecem neste tipo de catástrofes naturais.

“O trabalho já começou, as autoridades estão a levar a cabo uma intensa campanha de vacinação contra a cólera e a nossa participação é relevante para ganharmos cada vez mais força para este combate”, destacou.

Admitiu, por outro lado, a dificuldade em responder de forma totalmente satisfatória ao problema, face à complexidade da situação e à exiguidade dos meios: “faz-se o que é possível fazer com os meios que existem”.

Segundo o último balanço das autoridades moçambicanas, o ciclone fez 602 mortos e 1.641 feridos, tendo afetado mais de 1,5 milhões de pessoas no centro de Moçambique.

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