"Esta não é a primeira vez que a Renamo [Resistência Nacional Moçambicana] fala de esquadrões de morte, mostra claramente que esta questão é uma linha da própria Renamo", declarou o porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Caifadine Manasse.

A reação surgiu horas depois de acusações feitas pelo porta-voz da Renamo, José Manteigas, de que o partido no poder reativou alegados esquadrões para perseguir membros do principal partido da oposição, na sequência da contestação aos resultados das eleições gerais de 15 de outubro.

Manasse disse que as acusações à Frelimo são uma tentativa de manipulação para instalar um clima de perturbação da ordem e tranquilidade pública.

"Nós vamos continuar a dirigir os destinos do povo e não vamos apoiar nem vamos admitir qualquer perturbação que retarde o desenvolvimento do país", defendeu o porta-voz da Frelimo.

A Renamo, prosseguiu, está a passar por um clima de crise e divisão interna, com uma ala dirigida pelo líder do partido, Ossufo Momade, e uma outra chefiada pelo líder da autoproclamada Junta Militar.

"A Renamo está com problemas internos sérios", frisou Caifadine Manasse.

O porta-voz da Frelimo acusou a Renamo de estar por detrás dos ataques armados nalguns troços de estrada no Centro de Moçambique, assinalando que o partido protagonizou esse tipo de ações no passado como parte da sua estratégia de contestação dos resultados eleitorais.

Na manhã de hoje, um grupo armado atacou um autocarro no Centro de Moçambique, ferindo três pessoas, disseram à Lusa testemunhas e autoridades, na sequência da violência armada que desde agosto já matou 10 pessoas na região.

O mesmo tipo de violência naquela região aconteceu em 2015, em período pós-eleitoral, quando Afonso Dhlakama (antigo líder da Renamo) rejeitou a vitória da Frelimo, mas negando o envolvimento nos confrontos.

Desta vez, o cenário é ainda mais complexo depois de em junho um número incerto de guerrilheiros da Renamo chefiados por Mariano Nhongo se terem revoltado contra o líder do partido, Ossufo Momade, ameaçando destabilizar a região.

No entanto, em contactos pontuais com a Lusa e outros órgãos de comunicação social, Nhongo tem negado serem os seus homens os autores destes ataques.

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