"O desarmamento, desmobilização e reintegração dos homens armados da Renamo é, sem margem de dúvidas, uma das ações mais urgentes para devolver a paz definitiva ao país", afirmou a chefe da bancada da Frelimo, Margarida Talapa, no discurso de encerramento das sessões plenárias da Assembleia da República deste ano.

Margarida Talapa exigiu que a Renamo entregue a lista de todos os seus oficiais, assinalando que os avanços no processo de paz dependem dessa ação.

Talapa não esclareceu se a lista é referente aos 14 oficiais que o Memorando de Entendimento assinado com a Renamo preconiza que sejam nomeados para cargos de direção nas Forças de Defesa e Segurança (FDS), e que o principal partido da oposição afirma que já entregou, ou à totalidade dos quadros militares da organização.

"O Governo está à espera da vossa lista, nada poderá fazer a comunidade internacional sem a vossa lista", frisou a chefe da bancada parlamentar da Renamo.

A alusão de Margarida Talapa à comunidade internacional está relacionada com os constantes apelos do principal partido da oposição para que a Frelimo seja persuadida a cumprir o Memorando de Entendimento.

Por seu turno, a chefe da bancada da Renamo, Ivone Soares, acusou o Governo de violar o Memorando de Entendimento por apenas ter colocado interinamente três oficias do principal partido da oposição em cargos de chefia e não 14.

"É do maior interesse da Renamo que os seus homens e mulheres ainda nas matas sejam desmobilizados e sejam incluídos na sociedade, num espírito de concórdia e reconciliação nacional", afirmou Ivone Soares.

A chefe da bancada parlamentar da Frelimo defendeu que a comunidade internacional deve agir no interesse dos moçambicanos e não da Frelimo, no acompanhamento do atual processo de paz.

O líder da bancada parlamentar do MDM imputou o actual impasse no processo de paz à exclusão de outras forças políticas e sociais promovida pela Frelimo e Renamo.

"Há uma exclusão deliberada, que poderá provocar conflitos no futuro, as forças excluídas não sentirão obrigação de aderir a pactos sobre os quais não foram consultadas", declarou.